Kevin Warsh evita antecipar nova alta de juros pelo Fed
Em reunião do FMI e do Banco Mundial, o presidente do Fed não indicou se apoiará outro aumento em outubro; mercados esperam uma alta em dezembro.
Resumo em 30 segundos
Kevin Warsh afirmou que a economia dos Estados Unidos continua resiliente, mas não antecipou os próximos passos do Federal Reserve. O banco central elevou os juros em setembro. Embora integrantes do Fed considerem provável que novos aumentos sejam necessários, a maioria aguarda mais dados sobre a inflação, e os mercados esperam outra alta apenas em dezembro.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira, durante reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Bangcoc, que a economia dos Estados Unidos segue resiliente, mas não antecipou se o banco central elevará novamente os juros. O Fed aumentou as taxas em setembro, e os mercados esperam que a próxima alta ocorra apenas em dezembro, não neste mês.
Warsh disse que a inflação é um desafio compartilhado por diversos países e que bancos centrais de várias regiões apertaram a política monetária ao mesmo tempo. Sobre os Estados Unidos, declarou que o Fed havia deixado claro o compromisso com a estabilidade de preços e retirado parte do estímulo monetário com a alta de setembro.
Questionado sobre os próximos passos, o presidente do Fed afirmou que não pretende indicar antecipadamente o resultado das reuniões de política monetária previstas para o restante do ano. Desde que assumiu o comando da instituição, em maio, Warsh tem evitado sinalizar decisões futuras.
A posição contrasta com declarações recentes de outros integrantes do Fed. Quase todos disseram considerar provável que sejam necessários novos aumentos de juros, mas a maioria prefere aguardar dados econômicos adicionais para avaliar a evolução da inflação. Essa cautela indica que uma segunda alta ainda neste mês é pouco provável.
Os mercados mantiveram a expectativa de que o Fed espere até dezembro para voltar a elevar as taxas, mesmo após indicadores divulgados nesta semana apontarem inflação acima do esperado e em sentido contrário à meta de 2% do banco central. Uma alta de juros tende a encarecer o crédito e a conter a demanda, mecanismo usado para reduzir a pressão sobre os preços.
Na conversa com Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, Warsh atribuiu parte da força da economia americana ao aumento dos investimentos, que, segundo ele, não se limita à inteligência artificial. Ele afirmou que essa expansão contribui para o crescimento e para a resistência da atividade econômica diante de choques externos.
O dirigente também disse estar surpreso com a resiliência da economia global diante de tensões geopolíticas e conflitos recentes. Em sua avaliação, os Estados Unidos podem sair desse cenário com uma economia mais durável e maior capacidade de liderar o crescimento mundial. As declarações, porém, não indicam se Warsh pretende apoiar uma alta ou um corte de juros na próxima reunião: ele não anunciou uma direção para a política monetária no curto prazo.
Para entender
- Federal Reserve
- Banco central dos Estados Unidos. Define a política monetária do país, incluindo as taxas de juros, e tem como objetivos promover a estabilidade de preços e o máximo emprego.
- Fundo Monetário Internacional
- Organização internacional que busca promover a cooperação monetária e a estabilidade financeira global. Também acompanha economias nacionais e oferece assistência financeira e orientação a países.