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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aracy Lyra segue como diretora da escola que fundou no Rio

Aos 101 anos, a educadora vai ao colégio em Marechal Hermes três vezes por semana e completa 102 anos em novembro.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Educadora idosa conversa com um estudante em uma sala de escola, apoiada em um andador. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Educadora idosa conversa com um estudante em uma sala de escola, apoiada em um andador.
Resumo em 30 segundos

Aracy de Teixeira Lyra continua dirigindo a escola Américo de Oliveira, fundada por ela em 1953, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio. Aos 101 anos, vai ao colégio três vezes por semana e se dedica a tarefas administrativas e orientações pedagógicas. A instituição tem duas unidades na região e reúne famílias de várias gerações.

A educadora Aracy de Teixeira Lyra, de 101 anos, continua trabalhando como diretora da escola Américo de Oliveira, fundada por ela há 73 anos em Marechal Hermes, na zona norte do Rio de Janeiro. Ela vai ao colégio às segundas, quartas e sextas-feiras, chega por volta das 9h e volta para casa antes das 14h para descansar. Em novembro, completará 102 anos.

A escola leva o nome do pai de Aracy, Américo de Oliveira, que ela diz ter admirado pelo valor que dava à educação. Hoje, as atividades da fundadora se concentram em tarefas administrativas e orientações pedagógicas. Ela já não está à frente das salas de aula, mas costuma receber estudantes em sua sala para conversar e aconselhá-los.

“Gosto muito de dar aula, de conversar, orientar, dirigir crianças e fazer delas pessoas responsáveis para que as vidas que vão atravessar sejam boas”, afirma Aracy. Ela se locomove com a ajuda de um andador, mas mantém a rotina de trabalho e diz que cuidar da escola não a cansa. “Ainda me sinto jovem para trabalhar”, brinca.

O vínculo com as famílias do bairro atravessa gerações. Em uma festa realizada no fim de setembro para celebrar os 73 anos da escola, uma aluna de seis anos correu até Aracy e contou que o avô havia sido aluno dela. A menina perguntou como ele poderia entrar em contato com a educadora.

Aracy também usa as conversas com os estudantes para entender dificuldades que afetam o desempenho escolar. Ela recorda o caso de um menino que não fazia as tarefas de casa. Ao conversar com ele, soube que, depois das aulas, a criança acompanhava a mãe em outras atividades e, quando finalmente tinha tempo para estudar, já estava cansada e acabava dormindo.

A diretora chamou a mãe à escola e sugeriu uma saída. “Sabe quem está cuidando das crianças hoje? As avós”, disse. A partir do episódio, Aracy comentou que muitas mulheres acumulam responsabilidades domésticas e trabalho fora de casa. “Elas estão muito sacrificadas. Além dos trabalhos dentro de casa, que são imensos, elas estão na rua trabalhando também.”

A trajetória da escola começou com aulas no quintal da casa de Aracy, em Marechal Hermes. Nascida em Vitória, no Espírito Santo, em 1924, ela escolheu ser professora em um período em que, segundo sua lembrança, as opções profissionais para as mulheres eram limitadas. Depois de se formar e se casar, mudou-se para o Rio e começou a preparar estudantes interessados em ingressar no Colégio Militar.

O filho de Aracy, Ubiratan Lyra, estava entre os alunos. Com os bons resultados dos estudantes, a professora ganhou reconhecimento no bairro e passou a receber mais interessados. As aulas se ampliaram para o ensino básico e, em 1953, ela criou o Américo de Oliveira. A escolha do nome homenageou o pai, cuja educação Aracy descreve como rigorosa e exigente, mas também marcada pelo afeto.

A instituição cresceu: deixou o quintal, funcionou em um sobrado e depois se mudou para um prédio adquirido pela família. Hoje, mantém duas unidades na região. Ubiratan, que também é diretor, deixou a profissão de engenheiro da Marinha no início da década de 1990 para se dedicar à direção e à coordenação do colégio. Ele afirma que continua aprendendo com a mãe e destaca a força de vontade dela.

Fora da escola, Aracy frequenta o centro espírita Maria Angélica às terças-feiras e faz fisioterapia e hidroterapia às quintas. Também segue uma dieta que descreve como adventista, com peixe, legumes e saladas; diz que evita sal e não costuma beber durante as refeições. “Sem uma boa alimentação não se chega a lugar nenhum”, afirma.

Fontes: Estadão

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