FMI alerta para impacto da inteligência artificial nos empregos
Kristalina Georgieva defende preparar trabalhadores e rever políticas de educação; a automação também pode pressionar a arrecadação e ampliar desigualdades.
Resumo em 30 segundos
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a inteligência artificial pode reduzir a demanda por trabalhadores em tarefas rotineiras, afetar a arrecadação de impostos e ampliar desigualdades. Ela pediu que governos preparem a sociedade e adaptem políticas de educação. A instituição também estima que a tecnologia pode impulsionar o crescimento de economias asiáticas avançadas.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou nesta segunda-feira para o impacto da inteligência artificial (IA) sobre os empregos e a arrecadação de impostos. Durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok, ela pediu que governos comecem a preparar a sociedade para as mudanças, inclusive com revisão das políticas de educação.
Georgieva comparou o avanço da tecnologia a “um tsunami que avança lentamente, mas não deixa de ser um tsunami”. Segundo ela, a IA já reduz a procura por trabalhadores ao assumir tarefas rotineiras e repetitivas. Ao mesmo tempo, contribui para o crescimento de ocupações de baixa remuneração em setores como a construção civil, uma tendência que, afirmou, não é motivo para comemoração.
A mudança também pode afetar as finanças públicas. Georgieva disse que a automação tende a deslocar a atividade econômica do trabalho para o capital, como máquinas e investimentos. Como os salários são uma fonte tradicional de arrecadação de impostos, essa transformação pode pressionar as receitas dos governos.
O efeito da IA sobre o mercado de trabalho não deve ser igual para todos. Trabalhadores jovens em áreas mais expostas à tecnologia já enfrentam desaceleração nas contratações, o que torna candidatos a vagas de início de carreira mais vulneráveis. Também há preocupação com o aumento da desigualdade, pois os benefícios da IA permanecem concentrados em um grupo restrito de trabalhadores e economias, apesar do volume de investimentos no setor.
A diretora-gerente afirmou que ainda é difícil prever como será o trabalho nos próximos cinco anos. Ela defendeu que autoridades acompanhem os efeitos da tecnologia, avaliem as mudanças e adotem medidas desde já, em vez de esperar que todas as consequências estejam claras.
O FMI também vê potencial econômico na disseminação da IA. A instituição estima que a tecnologia pode acrescentar até um ponto percentual ao crescimento das economias asiáticas avançadas. Georgieva classificou esse impulso como significativo e disse que ele mais do que compensaria o efeito negativo do envelhecimento da população nos países ricos da região.
A inteligência artificial pode automatizar tarefas, mas seus efeitos dependem de como empresas e governos incorporam a tecnologia. A recomendação de Georgieva é adaptar a educação e as políticas públicas para que trabalhadores possam responder às mudanças nas ocupações e para que os ganhos econômicos não fiquem restritos a poucos grupos.