Setor de saúde prevê custo de até R$ 12 bilhões com fim da escala 6x1
Em evento em São Paulo, entidades defenderam regras específicas para hospitais e estimaram impacto anual de R$ 7 bilhões a R$ 12 bilhões; a mudança ainda não foi aprovada.
Resumo em 30 segundos
Representantes do setor de saúde estimam que o fim da escala 6x1 elevaria os custos da área entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões por ano. Entidades defendem regras específicas para hospitais, clínicas e laboratórios, onde muitos profissionais trabalham em regime de 12 horas seguidas por 36 de descanso. O governo diz estar aberto a ajustes, mas considera o modelo 5x2 mais adequado.
Representantes do setor de saúde estimam que o fim da escala 6x1 pode elevar os custos da área entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões por ano e defendem regras específicas para hospitais, clínicas e laboratórios. O debate ocorreu nesta quarta-feira (14), em um evento da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), em São Paulo; a mudança ainda não foi aprovada.
O principal ponto de preocupação é a escala 12 por 36, adotada atualmente por muitos serviços de saúde: o profissional trabalha 12 horas e descansa pelas 36 horas seguintes. Segundo Antonio Britto, diretor executivo da Anahp, cerca de 70% dos trabalhadores da área assistencial cumprem esse regime. Para ele, uma eventual alteração exige regulamentação própria para o setor.
Francisco Balestrin, presidente do SindiHosp e da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios (FeSaúde), afirmou que as instituições pedem um regime especial. Ele disse acreditar que a solicitação será aceita e destacou que hospitais funcionam durante 24 horas, todos os dias da semana. As entidades do setor fizeram a estimativa de impacto financeiro.
A escala 6x1 significa trabalhar seis dias e folgar um. Já o regime 12 por 36 organiza o trabalho em plantões de 12 horas, seguidos por 36 horas de descanso. A eventual mudança para uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de folga pode exigir novas contratações ou reorganização dos turnos em serviços que não podem interromper o atendimento.
Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde, disse que a pasta está aberta a negociar ajustes específicos, mas considera a escala 5x2 mais adequada também para os profissionais da saúde. Segundo ele, períodos limitados de descanso podem contribuir para sobrecarga e estresse e reduzir o tempo disponível para lazer e convivência familiar.
Massuda afirmou ainda que o sistema de saúde pode se reorganizar e citou a implantação do piso da enfermagem como exemplo. Segundo ele, foi possível garantir o piso e ampliar o número de profissionais contratados. Balestrin também afirmou que alguns estabelecimentos já adotam jornadas de oito horas, com turnos noturnos e de fim de semana tratados como plantões remunerados de forma diferenciada.
Interlocutores do setor avaliam que a proximidade da eleição pode favorecer a aprovação do fim da escala 6x1, mas consideram que a promulgação e a entrada em vigor podem demorar mais. A discussão envolve o impacto econômico da redução da jornada e seus possíveis efeitos sobre o descanso e a saúde mental dos trabalhadores.
Para entender
- Escala 12 por 36
- Regime de trabalho em que a pessoa cumpre um plantão de 12 horas e, em seguida, descansa por 36 horas. É adotado em serviços que precisam manter atendimento contínuo, como hospitais.