Venezuela prevê US$ 12 bilhões em financiamentos em dois anos
Delcy Rodríguez estima que recursos públicos e privados virão após a retomada de relações com FMI, Banco Mundial e BID, e anuncia mudanças no setor elétrico.
Resumo em 30 segundos
A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela espera receber cerca de US$ 12 bilhões em financiamentos públicos e privados nos próximos dois anos, após retomar relações com o FMI, o Banco Mundial e o BID. Ela também prevê ampliar a geração de energia e anunciou uma reforma do setor elétrico antes de dezembro.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira que o país espera receber cerca de US$ 12 bilhões em financiamentos públicos e privados nos próximos dois anos. A expectativa foi apresentada durante um encontro com empresários, meses depois de Caracas restabelecer relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
As três instituições multilaterais haviam interrompido ou suspendido vínculos com a Venezuela. O BID paralisou a relação financeira por causa de pagamentos não cumpridos, enquanto o FMI e o Banco Mundial romperam laços após deixarem de reconhecer Nicolás Maduro como presidente legítimo.
Rodríguez disse que se reuniu com representantes das instituições durante uma recente visita a Nova York e defendeu que os recursos cheguem a diferentes áreas da economia. O financiamento, segundo ela, é necessário para apoiar a recuperação do país após o terremoto duplo de 24 de junho, que deixou mais de 6.500 mortos e milhares de famílias desabrigadas.
Em julho, a Venezuela recebeu US$ 346 milhões de seus quase US$ 5,1 bilhões em reservas no FMI. As reservas internacionais do Fundo são ativos que os países membros podem utilizar, conforme as regras da instituição, para reforçar sua posição externa e atender a necessidades de financiamento.
A declaração foi feita durante a assembleia anual da Fedecámaras, entidade que reúne organizações patronais venezuelanas. No encontro, Rodríguez também abordou os apagões diários e os protestos que se espalham pelo país. Especialistas citados no relato afirmam que a infraestrutura elétrica está gravemente danificada após anos de falta de investimentos.
A presidente interina rejeitou a ideia de que protestos com queima de pneus possam resolver a crise de energia. “Não vi que queimar um pedaço de borracha acrescente pelo menos 10 megawatts ao Sistema Elétrico Nacional”, afirmou.
A Venezuela produz atualmente cerca de 12 mil megawatts, abaixo da demanda máxima de consumo, que chegou a 16 mil no fim de setembro. Rodríguez prevê acrescentar 7.400 megawatts ao sistema nos próximos anos por meio de acordos com empresas multinacionais e recuperar outros 1.300 antes do fim de 2026.
Ela também anunciou que o governo pretende fazer uma reforma no setor elétrico antes de dezembro. A iniciativa deve ocorrer em meio à busca por novos investimentos e à necessidade de ampliar a oferta de energia, enquanto o país tenta retomar o acesso a financiamentos multilaterais.
Para entender
- FMI
- O Fundo Monetário Internacional é uma organização formada por países que promove a cooperação monetária e a estabilidade financeira internacional. Também oferece assistência financeira a países membros, conforme suas regras e condições.
- Banco Mundial
- O Banco Mundial é um grupo de instituições internacionais que financia projetos e programas de desenvolvimento. Seu trabalho inclui apoio a iniciativas de infraestrutura, redução da pobreza e fortalecimento de serviços públicos.
- BID
- O Banco Interamericano de Desenvolvimento é uma instituição financeira multilateral voltada ao desenvolvimento da América Latina e do Caribe. Oferece empréstimos, doações e assistência técnica a países e projetos da região.