João Amoêdo declara apoio a Lula no segundo turno de 2026
O ex-presidente do Novo diz temer riscos à democracia em uma vitória de Flávio Bolsonaro; a votação está marcada para domingo, 25 de outubro.
Resumo em 30 segundos
João Amoêdo declarou apoio a Lula na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro, marcada para o segundo turno de domingo, 25 de outubro. Ele afirma que a escolha se deve à preocupação com a democracia, embora critique a política fiscal do governo petista. Amoêdo foi candidato à Presidência em 2018 e recebeu 2,68 milhões de votos.
João Amoêdo, fundador e ex-presidente do Novo, declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (25). Ele afirmou que teme que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) represente um risco à democracia e permita à família Bolsonaro permanecer no poder.
“Flávio me preocupa tanto ou mais que o pai dele”, disse Amoêdo ao explicar sua escolha. Ele avaliou que o atual presidente teve quatro anos para reduzir a polarização política, mas não aproveitou a oportunidade.
Amoêdo citou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e afirmou que Flávio defende trazê-lo de volta à vida política. Segundo o empresário, o senador já disse que governaria com o pai. “A família Bolsonaro tem a intenção de se perpetuar no poder, subvertendo o Estado democrático de Direito”, declarou.
O apoio a Lula, porém, não significa que Amoêdo concorde com a política econômica do governo. Ele criticou a falta de compromisso do presidente com a responsabilidade fiscal e afirmou que os gastos, em sua avaliação, não produzem resultados sustentáveis no combate à pobreza. Também disse que o governo deixou de enfrentar privilégios, benefícios fiscais concedidos a alguns setores e problemas na eficiência dos serviços públicos.
Para Amoêdo, a falta de controle das contas públicas pode pesar mais sobre a população de baixa renda por meio da inflação e de juros elevados, além de dificultar a atividade de pequenos negócios e a criação de empregos. Ainda assim, ele disse preferir essa situação ao que considera uma ameaça ao compromisso democrático.
O empresário também criticou a atuação parlamentar de Flávio e afirmou não ver no senador disposição para fazer ajustes fiscais ou enfrentar grupos de interesse. Na avaliação de Amoêdo, um eventual governo do candidato do PL poderia frustrar eleitores que esperam reformas e privatizações. Ele ainda manifestou preocupação com a política externa e com a possibilidade de uma relação de subserviência aos Estados Unidos.
Amoêdo concorreu à Presidência em 2018 e recebeu 2.679.745 votos no primeiro turno, o equivalente a 2,50% dos votos válidos. Ficou em quinto lugar. Ele deixou o Novo em novembro de 2022, após divergências sobre os rumos da legenda.
A disputa entre Lula e Flávio será decidida no segundo turno, etapa prevista na legislação eleitoral quando nenhum candidato à Presidência obtém maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Na votação, votos em branco e nulos não entram no cálculo dos válidos.