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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Candidatos de direita apoiam Flávio Bolsonaro para barrar Lula no 1º turno

Candidatos de Novo, União e outras siglas passaram a declarar apoio ao presidenciável do PL, enquanto pesquisas indicam disputa apertada com Lula.

Por Ricardo Vasconcelos 4 min de leitura
Apoiadores genéricos em uma mobilização eleitoral de rua, com bandeiras verdes e amarelas sem símbolos ou inscrições. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Apoiadores genéricos em uma mobilização eleitoral de rua, com bandeiras verdes e amarelas sem símbolos ou inscrições.
Resumo em 30 segundos

Candidatos de partidos como Novo e União passaram a apoiar Flávio Bolsonaro na reta final, enquanto alguns concorrentes ao Senado desistiram para favorecer nomes do PL. Lula e Flávio aparecem em empate técnico em pesquisas recentes, embora os levantamentos divirjam. Analistas dizem que a adesão pode não bastar para uma vitória do senador no primeiro turno.

Candidatos de partidos de direita que mantêm projetos próprios para a Presidência passaram a declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha, com o objetivo de concentrar votos e tentar impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença no primeiro turno. A eleição será realizada no domingo, 4 de outubro, e exige mais da metade dos votos válidos para uma vitória nessa etapa, sem contar votos brancos e nulos.

Entre os que mudaram de posição estão nomes do Novo, partido que lançou o ex-governador mineiro Romeu Zema à Presidência. A deputada federal Marina Helena, de São Paulo, avisou Zema antes de anunciar que apoiaria Flávio. Ela justificou a decisão com críticas ao governo Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de afirmar que a direita deveria se unir para evitar outro mandato do petista.

“Por isso, precisamos decidir essa eleição já no primeiro turno”, disse Marina Helena. A candidata também alegou que uma vitória de Lula representaria riscos econômicos e institucionais. As declarações são avaliações dela; não há, nas informações apresentadas, manifestação dos ministros citados em resposta.

Outros integrantes do Novo anunciaram voto em Flávio, entre eles o candidato a deputado estadual Carlo Cauti, o candidato ao Senado no Distrito Federal Sebastião Coelho e Marco Antônio Costa, que disputa uma vaga ao Senado por Minas Gerais. O partido não se manifestou oficialmente sobre esses apoios, mas a articulação foi autorizada nos bastidores, segundo as informações divulgadas.

O União liberou seus candidatos para apoiar Flávio, embora mantenha neutralidade formal no primeiro turno. Sílvio Navarro, candidato a deputado federal por São Paulo, disse que apoia o senador desde o ano passado e afirmou que a possibilidade de vitória já no primeiro turno tem atraído novos aliados.

Também houve mudanças entre candidatos ao Senado. Ricardo Salles, do Novo em São Paulo, e Ronaldo Fonseca, do PSD no Distrito Federal, desistiram de suas candidaturas para favorecer nomes do PL mais bem colocados nas pesquisas e evitar que candidatos de esquerda conquistem uma das duas vagas em disputa nos respectivos estados.

No Rio Grande do Sul, Marcel Van Hattem, candidato ao Senado pelo Novo, concorre em aliança com Ubiratan Sanderson, do PL. No Paraná, Deltan Dallagnol, também do Novo, faz campanha ao Senado ao lado de Filipe Barros, do PL.

Flávio afirmou na terça-feira (29), em São Paulo, que conversa com pessoas dispostas a apoiar sua candidatura, mesmo que existam divergências entre os grupos. Ele estava ao lado do empresário Pablo Marçal, do PRTB, que anunciou apoio ao senador depois de ter a candidatura desautorizada pela Justiça Eleitoral.

A adesão não é unânime. Renan Santos, candidato do partido Missão, rejeita apoiar Flávio e afirma que sua sigla foi criada para oferecer uma alternativa aos eleitores que não querem votar nem em Lula nem no senador. O partido sustenta que Flávio não tem chance concreta de vencer no primeiro turno e diz que apoiar outras candidaturas de direita também pode impedir uma vitória do petista nessa etapa.

As pesquisas divulgadas na semana mostram uma disputa apertada, mas apresentam resultados diferentes. Levantamento do Ideia em parceria com o Canal Meio, divulgado na quarta-feira (30), registrou Lula com 39,4% e Flávio com 38,4% das intenções de voto no primeiro turno, em empate técnico. Na simulação de segundo turno, Lula teve 48,5%, contra 48% do senador, também dentro da margem de erro.

Pesquisa da Palver, divulgada na terça-feira (29), mostrou os dois empatados numericamente em 44% no cenário estimulado de primeiro turno. Na simulação de segundo turno, Flávio apareceu com 47%, ante 45% de Lula, em empate técnico. Já a AtlasIntel apontou Lula com 46,2% e Flávio com 43,1% dos votos válidos no primeiro turno; no segundo, o resultado foi de 50% para cada um.

Cientistas políticos ouvidos nas matérias de origem avaliaram que a movimentação é característica da reta final, quando candidatos e partidos priorizam alianças capazes de ampliar o peso eleitoral de seu campo. Eles ponderaram, porém, que a transferência de votos de outros candidatos de direita pode não ser suficiente para garantir a vitória de Flávio no primeiro turno.

Para ultrapassar metade dos votos válidos, o senador precisaria atrair eleitores além daqueles já alinhados à direita. O resultado também depende do comportamento dos votos brancos e nulos e das abstenções, que não entram no cálculo dos votos válidos. Os analistas apontaram ainda que a aproximação eleitoral entre partidos não significa necessariamente uma unidade política duradoura.

Quem é quem

Flávio Bolsonaro
Político brasileiro e senador pelo Rio de Janeiro, filiado ao Partido Liberal. É filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e, segundo a matéria, concorre à Presidência da República em 2026.
Luiz Inácio Lula da Silva
Político brasileiro do Partido dos Trabalhadores. Foi presidente da República em mandatos anteriores e ocupa novamente o cargo, segundo a matéria, enquanto disputa a eleição presidencial de 2026.
Romeu Zema
Político brasileiro e ex-governador de Minas Gerais. A matéria informa que foi lançado pelo partido Novo como candidato à Presidência em 2026.

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