Greve geral mobiliza protestos contra custo de vida na Itália
O sindicato USB estima que entre 1 milhão e 1,5 milhão de pessoas participaram; autoridades não divulgaram balanço oficial, e houve confrontos em Roma e Turim.
Resumo em 30 segundos
Estudantes e trabalhadores foram às ruas em dezenas de cidades italianas para pedir mais recursos para a educação e medidas contra o custo de vida. A mobilização coincidiu com uma greve geral convocada pelo USB. Houve confrontos em Roma e Turim, enquanto o governo discute medidas para jovens e famílias no orçamento de 2027.
Estudantes e trabalhadores participaram nesta sexta-feira (30) de manifestações em dezenas de cidades da Itália para cobrar mais recursos para a educação e medidas contra o aumento do custo de vida. A mobilização foi acompanhada por uma greve geral convocada pelo sindicato USB e por um forte esquema policial; houve episódios de confronto em Turim e Roma.
O USB estimou que entre 1 milhão e 1,5 milhão de pessoas foram às ruas em todo o país. As autoridades não divulgaram uma contagem oficial. Entre os trabalhadores que aderiram estavam caminhoneiros, taxistas e agricultores, que também protestam contra a alta dos combustíveis e o aumento dos gastos com defesa. Professores e aposentados participaram das marchas, e bandeiras pró-Palestina foram vistas em grandes cidades.
Os atos ocorreram após semanas de mobilizações estudantis, inspiradas em movimentos na França e na Espanha. Em Roma, milhares de pessoas saíram da estação ferroviária Termini em direção ao Coliseu. A universitária Beatrice Chilelli disse que os estudantes haviam “chegado ao limite” e afirmou que um quarto individual em uma residência estudantil da capital pode custar até 1.200 euros por mês, equivalentes a R$ 7.190.
Em Milão, a marcha partiu da estação central e seguiu para a periferia, onde ocorreram confrontos entre jovens e policiais no fim de semana de 17 e 18 de outubro, após uma manifestação contra o custo de vida. Nesta sexta, cartazes pediam a recuperação do futuro dos jovens. Em Turim, a polícia usou jatos d’água para afastar manifestantes da sede da prefeitura. Em Roma, jovens lançaram garrafas, tombaram lixeiras e incendiaram uma delas perto do fim do ato.
A primeira-ministra Giorgia Meloni endureceu as regras para manifestações públicas depois dos confrontos em Milão e flexibilizou normas para a detenção de menores. Na semana passada, o governo aprovou um auxílio de 175,2 milhões de euros, ou R$ 1,05 bilhão, para caminhoneiros, agricultores e pescadores afetados pela alta dos combustíveis, relacionada à guerra no Oriente Médio.
O projeto de orçamento de 2027, em discussão entre os partidos da coalizão governista, também prevê medidas para jovens e famílias. Em Milão, o estudante Stefano De Finis, de 25 anos, disse esperar que os protestos produzam mudanças duradouras e defendeu que pessoas mais velhas também se mobilizem.
Para entender
- USB
- A União Sindical de Base (USB) é uma organização sindical italiana. O sindicato convocou a greve geral que acompanhou as manifestações relatadas na notícia.