Protestos na Itália terminam em confrontos em três cidades
Atos por direitos sociais e contra o custo de vida ocorreram neste sábado; em Roma, o líder da CGIL anunciou uma greve geral para 20 de novembro.
Resumo em 30 segundos
Manifestações reuniram trabalhadores, estudantes e organizações sociais em cidades italianas. Em Milão, Turim e Bolonha, confrontos com a polícia resultaram em detenções e danos. Em Roma, a CGIL apresentou reivindicações trabalhistas e sociais e anunciou uma greve geral para 20 de novembro. Caminhoneiros também protestam contra os preços dos combustíveis.
Protestos por direitos sociais e contra o alto custo de vida ocorreram neste sábado em várias cidades da Itália, entre elas Roma, Milão, Turim e Bolonha. Em Milão, Turim e Bolonha, parte das manifestações terminou em confrontos com a polícia, com uso de gás lacrimogêneo e canhões de água, detenções e danos a estabelecimentos e equipamentos urbanos.
Os atos reuniram trabalhadores, estudantes e organizações sociais em defesa de melhores condições de vida, direitos trabalhistas e serviços públicos. Em Roma, a mobilização organizada pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) teve como lema “Trabalho, paz, meio ambiente, bem-estar e Constituição” e contou com mais de cem associações laicas e católicas na Piazza del Popolo.
O secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini, anunciou uma greve geral para 20 de novembro e pediu explicações ao governo sobre o plano orçamentário. Uma greve estudantil europeia também está prevista para essa data, segundo Landini.
A pauta da manifestação inclui aumento de salários e aposentadorias, combate aos baixos salários e à precarização do trabalho, redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres e mudanças tributárias. Os organizadores defendem que pessoas com maior renda e patrimônio contribuam proporcionalmente mais, além de medidas contra a evasão fiscal e redução de impostos sobre salários e aposentadorias.
Na área dos serviços públicos, a central sindical pede mais recursos para saúde e educação, com financiamento equivalente a 7,5% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente. A lista de reivindicações também inclui contratação de profissionais, redução das filas de espera, acesso à moradia e serviços de qualidade em todo o país. O movimento defende ainda conciliar políticas ambientais e geração de empregos, preservar a liberdade de expressão e aplicar a Constituição italiana.
Em Milão, grupos de jovens vestidos de preto e com o rosto coberto entraram em confronto com policiais no centro da cidade, entre a Via San Prospero e a Piazza Cordusio. A tensão se espalhou para a Piazza Duomo e a Via Broletto, onde manifestantes lançaram objetos e pedras. A polícia usou força para dispersar os grupos; caixas eletrônicos, janelas de edifícios históricos e comércios foram danificados. Alguns jovens foram detidos e identificados.
Em Turim, onde os protestos também se concentraram no custo de vida, organizadores pediram a jovens que retirassem os capuzes e marchassem de rosto descoberto. Participantes contiveram um grupo que tentou avançar à frente do cortejo na Via Po. Mais tarde, na Piazza Vittorio Veneto, uma garrafa foi arremessada contra policiais.
Em Bolonha, policiais usaram canhões de água e gás lacrimogêneo nas proximidades da estação ferroviária para dispersar manifestantes encapuzados que atiravam pedras e outros objetos. Dezenas de bicicletas compartilhadas foram derrubadas, e a mobilização seguiu por ruas próximas, incluindo a Via Indipendenza.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, condenou a violência e os danos e afirmou que o direito de protestar deve ser conciliado com a segurança dos cidadãos e dos agentes. Em publicação na rede social X, disse que os atos são “totalmente inaceitáveis”. Tajani também criticou integrantes da oposição, a quem atribuiu incentivo à violência; essa avaliação foi apresentada por ele.
Paralelamente, caminhoneiros protestam contra os preços dos combustíveis na Calábria e na Sicília. A associação empresarial ANAV Sicilia alertou para o risco de falta de diesel no transporte privado a partir de segunda-feira, dia 19, caso persistam os problemas de abastecimento.
Para entender
- CGIL
- A Confederação Geral Italiana do Trabalho é uma central sindical da Itália. Reúne sindicatos de diferentes setores e representa trabalhadores em negociações e mobilizações sobre salários, condições de trabalho e políticas sociais.