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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Governo Lula busca pragmatismo após Flávio Bolsonaro chegar a Miami

O senador deixou o Brasil na quarta-feira e está nos Estados Unidos; Planalto quer preservar o diálogo e a parceria comercial, apesar das tensões com Trump.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jato particular na pista de um aeroporto próximo a Miami, com viajantes ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jato particular na pista de um aeroporto próximo a Miami, com viajantes ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O governo Lula pretende manter uma relação pragmática com os Estados Unidos, apesar da chegada de Flávio Bolsonaro a Miami e das declarações de Donald Trump sobre a eleição brasileira. O Planalto quer preservar o diálogo e a parceria comercial, além de buscar cooperação no combate ao crime organizado.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva pretende manter uma relação pragmática com os Estados Unidos, apesar da chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Miami e da decisão do presidente Donald Trump de não reconhecer o resultado da eleição brasileira. O Planalto avalia que a posição americana não afeta a legitimidade do pleito, vencido por Lula no domingo (25), e quer preservar o diálogo e os interesses comuns entre os dois países.

Flávio chegou à cidade da Flórida na quarta-feira (28), por volta das 10h, após deixar o Brasil. Ele descumpriu uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes e não sair do país. Segundo relato publicado pelo The New York Times, o jato usado na viagem foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca.

O senador está nos Estados Unidos com autorização temporária de permanência concedida por ordem de Trump e poderá obter residência permanente, segundo as informações divulgadas. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, recebeu o green card em julho. O documento permite a residência permanente no país.

No Planalto, uma ala vê a saída de Flávio como um novo fator de tensão entre Brasília e Washington. O episódio remete à crise de julho do ano passado, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e alegou que Jair Bolsonaro, ex-presidente e pai do senador, era alvo de perseguição política. Na ocasião, governadores, autoridades e entidades empresariais criticaram a medida e manifestaram apoio ao governo Lula.

Apesar da tensão, integrantes do governo consideram desnecessário que a Casa Branca reconheça formalmente a eleição para confirmar sua legitimidade. A avaliação é que cumprimentos de chefes de governo e manifestações de partidos políticos bastam. Um interlocutor do governo chamou essas manifestações de “voluntárias”. Trump afirmou que a eleição brasileira pareceu “fraudulenta”.

A prioridade do governo é manter a parceria comercial e buscar cooperação em áreas de interesse comum, entre elas o combate ao crime organizado na região, tema que Lula propôs discutir com Trump. Até sexta-feira (30), não havia pedido de telefonema do presidente americano a Lula. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajou na quinta-feira (29) para Atlanta, na Geórgia, onde participa da reunião de chanceleres do G20 nos dias 30 e 31. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também estará nas agendas, e uma conversa entre os dois não está descartada.

O governo brasileiro acompanha ainda as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3). A avaliação no Planalto é que uma eventual perda da maioria de Trump no Congresso pode levar a uma mudança no discurso americano. Por ora, uma ala defende que Lula não responda publicamente às declarações do presidente dos Estados Unidos nem que o governo faça uma contestação institucional.

A mesma corrente recomenda cautela na análise do indicado para embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Daniel Perez. A aprovação diplomática, chamada de agrément, é o consentimento do país anfitrião para que um representante estrangeiro assuma o posto. Aliados do governo afirmam que não há impedimento para concedê-la, mas defendem observar a postura do indicado antes de decidir.

O governo Lula também avalia se a Argentina ajudou na saída de Flávio do Brasil e considera possível pedir explicações a Buenos Aires sobre a operação. Enquanto isso, a gestão descarta, no curto prazo, o retorno do embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli.

Para entender

Agrément
É o consentimento do país anfitrião para que um representante diplomático estrangeiro seja oficialmente aceito e possa assumir o posto. A concessão antecede a nomeação formal do embaixador.

Fontes: Valor Econômico

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