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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Governador do Alasca abre investigação sobre campanha de Peltola

A apuração avaliará possíveis acusações criminais ou sanções civis após a divulgação de um plano para recrutar um candidato homônimo de Dan Sullivan.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Cédula sem inscrições ao lado de uma urna, com um porto pesqueiro do Alasca ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Cédula sem inscrições ao lado de uma urna, com um porto pesqueiro do Alasca ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Mike Dunleavy determinou uma investigação sobre a campanha de Mary Peltola após a divulgação de um plano para recrutar Dan J. Sullivan, homônimo do senador republicano Dan S. Sullivan. A eleição ocorre na terça-feira, com os dois candidatos na cédula. A investigação estadual e uma ação federal seguem em andamento; ainda não está estabelecido que houve violação da lei.

O governador do Alasca, Mike Dunleavy, determinou a abertura de uma investigação sobre a campanha da democrata Mary Peltola para o Senado dos Estados Unidos, após a divulgação de um plano para recrutar um candidato com o mesmo nome do senador republicano Dan S. Sullivan. A apuração deverá avaliar se a campanha ou seus integrantes podem responder a acusações criminais ou a sanções civis. A eleição está marcada para terça-feira, e os dois Sullivan aparecerão na cédula ao lado de Peltola e de Gerald Heikes.

O candidato recrutado é Dan J. Sullivan, um aposentado que mora em uma pequena comunidade pesqueira do Alasca. Segundo as informações divulgadas sobre o plano, a semelhança de nomes com o senador que tenta a reeleição foi o motivo para escolhê-lo. A estratégia buscava dividir votos que poderiam ir ao republicano, embora não esteja estabelecido que a iniciativa tenha violado alguma lei.

Dunleavy, republicano, anunciou a investigação na noite de quarta-feira. Em uma publicação na rede social X, disse que enganar eleitores para fazê-los votar em outra pessoa afeta a integridade das eleições e afirmou que pessoas ou organizações que infringirem a lei devem ser responsabilizadas.

Mais cedo, o presidente Donald Trump pediu que Peltola fosse retirada da disputa e processada. Em declarações a jornalistas, chamou a iniciativa de “uma fraude eleitoral do mais alto nível”, mas não especificou qual crime teria sido cometido. A campanha de Peltola negou anteriormente a existência de um esquema, enquanto a própria candidata tratou o episódio como “apenas mais uma distração” em um comício na quarta-feira.

O plano teria envolvido assessores de alto escalão da campanha de Peltola e da principal comissão democrata que apoia candidaturas ao Senado. Um porta-voz de Sullivan acusou a democrata e sua equipe de tentarem manipular a percepção dos eleitores e de negarem um esquema que, segundo ele, já estava em curso. A senadora republicana Lisa Murkowski, que apoiou Peltola em campanhas anteriores, mas agora respaldou Sullivan, criticou a tentativa de lançar uma candidatura para dividir votos. Ela disse que os eleitores do Alasca merecem ouvir a verdade da campanha democrata.

A prática é conhecida nos Estados Unidos como “ballot-stacking”: a promoção de candidaturas adicionais com o objetivo de influenciar a distribuição dos votos. Seus defensores afirmam que manobras semelhantes já foram usadas por diferentes partidos. Entre os exemplos citados por democratas está uma comissão ligada a republicanos que gastou milhares de dólares no Alasca para impulsionar candidatos democratas e verdes nas primárias deste ano para o Senado. Em 2024, o Partido Republicano do estado também participou de uma ação para manter na cédula um candidato democrata que cumpria pena em uma prisão federal de Nova York.

A existência de precedentes, porém, não resolve a questão jurídica sobre o caso atual. No início deste ano, autoridades eleitorais do Alasca tentaram retirar Dan J. Sullivan da cédula. A Suprema Corte estadual rejeitou a iniciativa, ao decidir que a legislação do estado e a Constituição não davam fundamento para que o tribunal examinasse as motivações de um candidato.

Há também uma ação federal apresentada pelo Departamento de Justiça na semana passada, por determinação de Trump. O processo pede que a homologação do resultado da eleição para o Senado seja impedida caso o senador Sullivan perca. A ação não apontou uma atividade ilegal específica e acusa o aposentado de tentar confundir eleitores, levando-os a acreditar que ele é o senador. Dan J. Sullivan declarou que votou nos democratas nas três últimas eleições e apoiou Peltola em 2022 e 2024.

A juíza-chefe Sharon Gleason, do Tribunal Distrital Federal do Alasca, acelerou a tramitação e fixou a tarde desta quinta-feira como prazo para o Departamento de Justiça responder a um pedido de arquivamento. A magistrada observou que o governo entrou com a ação depois de os eleitores começarem a votar e quase quatro meses após a decisão da Suprema Corte estadual que manteve Sullivan na cédula. A campanha de Peltola e a comissão democrata de apoio ao Senado pediram para participar do processo; o governo retirou a oposição ao pedido na quarta-feira, citando uma mudança nas circunstâncias após a divulgação de detalhes do plano.

O sistema eleitoral do Alasca usa votação por ordem de preferência. Nesse modelo, o eleitor pode ordenar candidatos e, se sua primeira escolha for eliminada, seu voto pode ser transferido para a opção seguinte. O advogado Scott Kendall argumentou que isso pode reduzir a confusão causada pelos dois Sullivan: votos de eleitores republicanos que indiquem ambos na lista podem acabar transferidos ao senador incumbente, conforme a apuração. A investigação estadual e a ação federal seguem em andamento, enquanto os eleitores se preparam para votar.

Para entender

Votação por ordem de preferência
Nesse sistema, o eleitor pode classificar os candidatos em ordem. Se sua primeira opção for eliminada durante a apuração, o voto pode ser transferido para a escolha seguinte, conforme as regras eleitorais aplicáveis.
Ballot-stacking
Expressão usada nos Estados Unidos para descrever a promoção ou entrada de candidaturas adicionais com a intenção de influenciar como os votos se distribuem entre os concorrentes. A estratégia, por si só, não determina se houve violação da lei.

Fontes: O Globo

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