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Sábado, 17 de outubro de 2026

Governo Trump libera iscas para caça de ursos no Alasca

A regra será publicada na segunda-feira e passará a valer 30 dias depois; grupos de proteção animal alertam que a prática pode aumentar riscos para pessoas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urso-negro se aproxima de comida no chão em uma floresta do Alasca. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urso-negro se aproxima de comida no chão em uma floresta do Alasca.
Resumo em 30 segundos

O governo de Donald Trump retomou a autorização para usar alimentos como isca e atrair ursos para a caça em determinadas terras federais do Alasca. A regulamentação, que ainda não está em vigor, também altera restrições à caça, à pesca e à captura de animais. Organizações de proteção animal avaliam contestar a decisão na Justiça.

O governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira a retomada do uso de iscas alimentares para atrair ursos e permitir que sejam abatidos a curta distância em determinadas terras públicas federais do Alasca. A regulamentação será publicada no Registro Federal na segunda-feira e começará a valer 30 dias depois. A medida reverte uma proibição restabelecida em 2024, durante o governo de Joe Biden.

A autorização permite usar alimentos como rosquinhas com gordura de bacon, doces e restos de carne ou peixe. A técnica consiste em deixar comida com cheiro forte e alto teor calórico para atrair os animais, que podem estar a vários quilômetros de distância. Quando se aproximam, ficam ao alcance dos caçadores.

A regra se aplica a áreas federais abrangidas pela regulamentação, que correspondem a cerca de 60% do território do Alasca. O método já é permitido em terras estaduais e privadas do estado. Entre os 33 estados americanos com temporadas de caça ao urso-negro, 12 autorizam, sob certas condições, o uso de alimentos humanos como isca.

A decisão também modifica restrições à caça, à pesca e à captura de animais em parques nacionais e reservas do Alasca. Doug Burgum, secretário do Departamento do Interior, responsável pelo Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, afirmou que a mudança considera as posições das autoridades estaduais e dos moradores.

Em comunicado, Burgum disse que a regulamentação amplia a participação local nas decisões sobre terras e vida selvagem, mantendo a proteção ambiental. Segundo ele, a medida “dá aos habitantes do Alasca uma voz mais forte nas decisões que afetam as terras, a vida selvagem e as tradições que conhecem melhor, ao mesmo tempo que garante que o Serviço Nacional de Parques continue protegendo os recursos dos parques para as futuras gerações”.

O governo também argumenta que a experiência prática das autoridades do Alasca deve ter mais peso que avaliações de especialistas em vida selvagem consideradas especulativas e sem dados contextualizados. A justificativa menciona décadas de atuação estadual sem incidentes documentados relacionados à segurança pública.

Organizações de proteção animal contestam a mudança. A Humane World for Animals afirma que alimentar ursos pode alterar o comportamento dos animais e levá-los a associar seres humanos à comida, aumentando o risco de encontros com caminhantes e campistas. A presidente da entidade, Kitty Block, chamou a prática de “indefensável e injustificável como decisão de política federal” e disse que a organização avalia possíveis medidas judiciais.

Já W. Laird Hamberlin, diretor-executivo do Safari Club International, grupo que defende os interesses de caçadores, elogiou a regulamentação, sem comentar especificamente o uso de iscas. Em comunicado, afirmou: “Essa regra respeita o papel do Alasca na gestão de sua vida selvagem, restabelece a transparência nas interdições federais e elimina restrições sobrepostas a métodos de caça que já são regulamentados pelo estado”.

As regras sobre iscas em terras federais do Alasca mudaram ao longo de diferentes governos. Em 2015, a administração de Barack Obama proibiu a prática nas áreas alcançadas pela norma, e o estado e grupos ligados à caça de troféus recorreram à Justiça. No primeiro mandato de Trump, a proibição foi revogada antes de a disputa judicial ser resolvida. Biden restabeleceu a restrição em 2024, após consulta a especialistas: segundo o Serviço Nacional de Parques, 26 dos 28 biólogos consultados acreditavam que as iscas levariam ursos a associar comida a seres humanos.

No primeiro dia de seu retorno à Presidência, em 2025, Trump assinou uma ordem executiva para que o Serviço Nacional de Parques reavaliasse a política. A nova regulamentação retoma a autorização nas áreas federais abrangidas, mas ainda não está em vigor. A Humane World for Animals considera contestá-la em um tribunal federal.

Fontes: O Globo

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