EUA alertam aliados sobre novos ataques ao Irã após eleição
Donald Trump ainda não decidiu se autorizará a ofensiva, mas aliados receberam orientações para se preparar para possíveis retaliações iranianas.
Resumo em 30 segundos
Os Estados Unidos alertaram aliados no Oriente Médio para se prepararem para uma possível retomada dos ataques ao Irã após as eleições legislativas de 3 de novembro. Trump ainda não decidiu se autorizará a ofensiva. Governos da região temem retaliações iranianas e uma escalada prolongada, enquanto Teerã afirma que mantém aberta a via diplomática.
Os Estados Unidos alertaram aliados no Oriente Médio para se prepararem para uma possível retomada de ataques militares contra o Irã após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. O presidente Donald Trump ainda não decidiu se autorizará uma nova ofensiva, mas tem repetido que considera retomar os bombardeios depois da votação, marcada para a próxima terça-feira.
Autoridades americanas também recomendaram medidas preventivas diante do risco de retaliação iraniana contra instalações de energia e outras estruturas essenciais nos países da região. Segundo diplomatas informados sobre os alertas, uma operação dos EUA poderia durar vários dias. Governos regionais, porém, temem que a resposta de Teerã e de grupos armados apoiados pelo Irã prolongue a escalada.
A possibilidade de novos ataques surge em meio a uma sequência de confrontos no Oriente Médio. Rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, lançaram ofensivas contra instalações petrolíferas e aeroportos da Arábia Saudita; uma coalizão liderada pelos sauditas respondeu com bombardeios a áreas controladas pelo grupo.
O governo iraniano afirma que ainda busca uma saída diplomática. Na quarta-feira (28), o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que Teerã “continua dando uma chance para que a diplomacia tenha sucesso” e trabalha com mediadores em propostas apresentadas no mês passado. O Irã ainda considera essas sugestões uma possível base para retomar um cessar-fogo, embora Trump as tenha rejeitado anteriormente.
Os Emirados Árabes Unidos pediram moderação e defenderam soluções políticas para conter as tensões e evitar operações militares de grande escala. Enquanto isso, os Estados Unidos reforçaram sua presença na região: no fim de setembro, o Pentágono enviou o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e navios de desembarque anfíbio, com cerca de 9 mil militares, para o Golfo Pérsico. Uma autoridade americana estimou que o deslocamento poderia elevar a presença naval dos EUA a mais de 20 mil marinheiros e fuzileiros navais, além de centenas de aeronaves.
A tensão ocorre também após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afastar o tenente-general Brett Sylvia, responsável por estratégia, planos e políticas no Estado-Maior Conjunto. Uma autoridade de defesa afirmou que não foi apresentada justificativa para a decisão e que não havia substituto definido. A equipe de planejamento militar conhecida como J5 coordena planos com o presidente do Estado-Maior Conjunto e o presidente dos Estados Unidos.
O conflito se tornou um tema político para Trump às vésperas da eleição, em que os republicanos tentam manter o controle do Congresso. A alta dos preços da gasolina tem pressionado consumidores americanos e elevado custos em diferentes setores da economia mundial. Uma estimativa do Pentágono enviada ao Congresso calcula em US$ 47,1 bilhões os gastos dos EUA com a guerra, US$ 3,5 bilhões a mais desde o início de setembro.
Em eventos de campanha recentes, Trump alternou promessas de encerramento próximo do conflito com ameaças de novos bombardeios. Na terça-feira (27), em um comício em Lubbock, no Texas, afirmou que a guerra poderia ter um desfecho definitivo “em algumas semanas”.