Gadi Eisenkot disputa eleição em Israel contra Netanyahu
Ex-chefe militar e líder do Yashar promete investigar as falhas de segurança de 2023 e propõe mudanças políticas e sociais para o país.
Resumo em 30 segundos
Gadi Eisenkot enfrenta Binyamin Netanyahu na eleição israelense de terça-feira, 27 de outubro. Ex-chefe do Estado-Maior, ele critica a condução do governo e promete uma comissão de inquérito sobre as falhas que antecederam o ataque do Hamas em 2023. Sua campanha também propõe mudanças políticas e sociais e se opõe à anexação da Cisjordânia.
Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel e líder do partido Yashar, disputa com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu a eleição marcada para terça-feira, 27. Ele afirma que quer “salvar Israel” e apresenta sua candidatura como uma alternativa ao que considera guerras prolongadas, desgaste internacional e falta de responsabilização do atual governo pelo ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
A eleição coloca frente a frente dois políticos com trajetórias e estilos distintos. Eisenkot, de 66 anos, passou a maior parte da carreira no Exército e teve apenas parte de um mandato como parlamentar e oito meses como ministro. Netanyahu, por sua vez, tem longa experiência no governo. A disputa ocorre enquanto a vantagem de Eisenkot sobre o primeiro-ministro diminui, segundo as sondagens citadas durante a campanha.
Eisenkot acusa Netanyahu de não assumir responsabilidade pelas falhas de segurança que permitiram o ataque de 7 de outubro. Ele também critica o que descreve como uma condução que prolonga conflitos, prejudica a imagem de Israel no exterior e aprofunda divisões internas. Para o ex-general, a eleição é uma escolha entre assumir responsabilidades e evitá-las.
A experiência pessoal de Eisenkot na guerra também marca sua candidatura. Em dezembro de 2023, Gal, seu filho mais novo, de 25 anos e reservista, morreu na explosão de um túnel em Gaza. No mesmo dia, um sobrinho foi morto no território; outro sobrinho morreu 11 meses depois. No funeral de Gal, Eisenkot fez um discurso transmitido pela televisão e afirmou que espera ser digno do preço pago pela família, para que os filhos de Israel tenham uma realidade melhor.
Nascido em Tiberíades, no norte do país, e criado em Eilat, no sul, Eisenkot é filho de imigrantes marroquinos. Se eleito, seria o primeiro mizrahi a ocupar o cargo de primeiro-ministro. O termo designa judeus com origem no Oriente Médio ou no Norte da África; esse grupo representa aproximadamente metade da população judaica israelense e inclui muitos apoiadores tradicionais de Netanyahu.
A carreira militar de Eisenkot foi marcada por posições que, segundo ele, refletem disciplina e responsabilidade. Em 2015, quando chefiava as Forças Armadas, determinou que os soldados seguissem ordens e não apelos de políticos ou líderes religiosos após ataques palestinos. Também defendeu o julgamento do soldado Elor Azaria, que matou um palestino ferido e imóvel, em um caso filmado. Azaria foi condenado pelo sistema de justiça militar a 18 meses de prisão, apesar dos protestos públicos.
Como comandante na Cisjordânia durante a Segunda Intifada, iniciada no começo dos anos 2000, Eisenkot participou de operações contra militantes palestinos e da aceleração da construção de uma barreira entre o território e Israel. Um antigo comandante afirmou que ele combinou ações militares com cooperação palestina. Eisenkot também se opôs a propostas de punição coletiva e defendeu que os palestinos tivessem motivos para esperar melhora nas relações, inclusive por meio de negociações políticas.
Em 2008, porém, Eisenkot formulou a chamada “doutrina Dahiya”, uma estratégia de dissuasão baseada em respostas de grande escala a ataques. O nome vem do subúrbio de Beirute atingido por Israel em 2006, durante a guerra contra o Hezbollah. A doutrina prevê o uso de força extensa para elevar o custo de novos ataques, uma abordagem distinta de sua defesa de medidas políticas para os palestinos.
Eisenkot entrou no governo de unidade de Netanyahu cinco dias depois do ataque de 7 de outubro, ao lado de Benny Gantz, mas deixou o cargo em junho de 2024. Ele se opôs à insistência do primeiro-ministro em alcançar uma “vitória total” sobre o Hamas, em vez de priorizar um acordo para libertar os reféns. No ano seguinte, fundou o Yashar, nome que significa “reto” ou “honesto” em hebraico.
Na campanha, Eisenkot promete criar uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas que antecederam o ataque de 2023. A comissão também deveria examinar suas próprias decisões como chefe militar. Ele propõe ainda combater grupos de colonos que chama de “terroristas judeus”, retirar postos avançados ilegais na Cisjordânia, reduzir a pressão sobre a Autoridade Palestina e restabelecer autorizações de trabalho para palestinos entrarem em Israel.
O candidato também se compromete a interromper iniciativas de anexação da Cisjordânia, onde vivem aproximadamente três milhões de palestinos. Netanyahu afirma que essa posição abriria caminho para um Estado palestino; Eisenkot, contudo, diz que não vê a criação de um Estado palestino no horizonte. Assim, sua plataforma combina oposição à anexação com a ausência de uma proposta imediata de soberania palestina.
Entre as mudanças internas que defende estão limites de mandato para primeiros-ministros, leis para regular o estudo religioso ultraortodoxo e a inclusão obrigatória de matemática, inglês e ciências nas escolas religiosas. Ele também propõe que Israel elabore uma constituição. Os planos, segundo Eisenkot, fazem parte de uma tentativa de conduzir o país a uma situação que considera normal e reduzir divisões sociais.
A campanha, no entanto, enfrenta dúvidas sobre a capacidade de Eisenkot de mobilizar eleitores e vencer um adversário experiente. Alguns apoiadores consideram seu estilo discreto pouco combativo; outros dizem preferir a seriedade e a decência que atribuem ao ex-general. A eleição de terça-feira decidirá se os eleitores confiam a ele a liderança do país e a condução das mudanças prometidas.