Comandantes das Forças Armadas planejam deixar cargos em janeiro
Os atuais chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica devem sair em janeiro de 2027, assim como o ministro da Defesa, José Múcio.
Resumo em 30 segundos
Os comandantes das três Forças Armadas indicaram que pretendem deixar os cargos em janeiro de 2027, quando deve começar a renovação das cúpulas militares. José Múcio também planeja sair do Ministério da Defesa. O presidente Lula escolherá os novos titulares, com indicações esperadas para novembro.
Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica indicaram que pretendem deixar os cargos a partir de janeiro de 2027, quando deve começar a renovação das cúpulas militares no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também está prevista a saída do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e é considerada a possibilidade de o general Tomás Paiva assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência.
Os atuais chefes são o general Tomás Paiva, no Exército; o almirante Marcos Sampaio Olsen, na Marinha; e o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, na Aeronáutica. Segundo interlocutores, eles consideram cumprida a missão e defendem a passagem dos postos a oficiais mais antigos de cada Força.
A escolha cabe ao presidente. Pela tradição, o ministro da Defesa apresenta a Lula os nomes dos três oficiais mais antigos de cada corporação, mas o presidente não é obrigado a selecionar um deles. A expectativa é que as indicações sejam anunciadas em novembro e que a troca ocorra em janeiro.
No Exército, o general Francisco Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior, é apontado como possível sucessor de Tomás Paiva. Embora seja próximo do atual comandante, não está entre os três generais mais antigos do Alto Comando. Também são cotados, pela ordem de antiguidade, Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento. Se Montenegro for escolhido, os mais antigos deverão ir para a reserva.
Na Aeronáutica, os nomes mais mencionados são os brigadeiros Walcyr de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Força, e Ary Soares Mesquita, secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica. Na Marinha, aparecem os almirantes Arthur Fernando Bettega, chefe do Estado-Maior da Armada, e Carlos Chagas Vianna Braga, comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais. Bettega é o segundo mais antigo da Força; Braga, o mais antigo.
Múcio, que assumiu a Defesa em janeiro de 2023, pretende deixar o ministério. Ele já chegou a entregar o cargo a Lula algumas vezes durante o governo, mas permaneceu após ser convencido pelo presidente. Para substituí-lo, indicou Cinara Wagner Fredo, servidora pública de carreira e atual secretária-geral da pasta. Outro nome cogitado é Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que tem experiência em áreas relacionadas à Defesa.
A mudança ocorre após um período de tensão entre o governo e as Forças Armadas, marcado também pelo julgamento de oficiais por uma tentativa de golpe de Estado. A expectativa agora é de uma transição sem a incerteza registrada no início do atual mandato, com a preservação da separação entre a atuação militar e a política.
Para entender
- Gabinete de Segurança Institucional
- O GSI é um órgão da Presidência da República que presta assistência direta ao presidente em assuntos de segurança e coordena atividades relacionadas à segurança presidencial.