Flávio Bolsonaro voa a Miami em jato de US$ 150 mil pago nos EUA
O dono da empresa responsável pelo voo afirma que um intermediário do setor de aviação fez o pagamento, mas não revelou sua identidade.
Resumo em 30 segundos
O voo particular que levou Flávio Bolsonaro, a mulher e as duas filhas da Argentina a Miami custou US$ 150 mil, segundo o dono da empresa responsável pela viagem. O empresário disse que recebeu o pagamento de um intermediário do setor de aviação nos Estados Unidos, sem identificá-lo. Reportagens também relataram a participação de aliados na organização do transporte.
O voo particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a mulher e as duas filhas da Argentina a Miami custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário do setor de aviação que vive nos Estados Unidos, afirmou o empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, responsável pela viagem. O valor equivale a cerca de R$ 817 mil, segundo a cotação mencionada nesta sexta-feira.
Grande disse que recebeu o pagamento de um profissional que trabalha com contratação e venda de voos privados e com quem mantém relações comerciais há dez anos. O dinheiro saiu de uma conta empresarial nos Estados Unidos e foi transferido para uma instituição bancária argentina. O empresário não identificou quem fez a intermediação.
Reportagens nos Estados Unidos atribuíram a Jason Miller, integrante da equipe de comunicação do presidente Donald Trump, participação na organização do transporte. Uma delas informou que Miller providenciou a aeronave; outra relatou que ele atuou com aliados e com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. Não há informação de que Miller tenha pago diretamente o voo ou mantido contato com o intermediário citado por Grande.
A viagem foi inicialmente marcada para segunda-feira (26), mas o embarque passou para terça-feira (27). Flávio e os familiares atravessaram por terra a fronteira entre o Brasil e a Argentina e embarcaram em um jato Gulfstream G400 no aeroporto de Porto Iguazú, perto da divisa brasileira. A aeronave decolou às 22h50, no horário de Brasília, fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami às 23h52.
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar no domingo (25) que o senador entregasse os passaportes em até 24 horas. A ordem foi tomada em meio a investigações envolvendo Flávio e a um alerta da Polícia Federal sobre o risco de ele deixar o Brasil e permanecer no exterior. Na segunda-feira, ele publicou um vídeo em que disse que cumpriria a determinação e negou que pretendesse sair do país.
A organização da viagem também teria contado com aliados do presidente argentino Javier Milei e integrantes do governo Trump. Segundo relatos publicados nos Estados Unidos, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou de providências relacionadas à documentação migratória. Essas informações não esclarecem qual foi o papel de cada pessoa na contratação ou no pagamento do voo.
Para entender
- Baires Fly
- Empresa argentina de aviação executiva que opera voos fretados. Seu proprietário, Luis Grande, afirmou que a companhia foi responsável pela viagem mencionada na notícia.