Flávio Bolsonaro viaja aos EUA em jato pago por intermediário
O dono da empresa aérea afirma que o contratante transferiu US$ 150 mil de uma conta nos Estados Unidos; a Casa Branca não comentou o caso.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro embarcou com a família em Puerto Iguazú, na Argentina, rumo à Flórida. O dono da empresa responsável pelo voo disse que um intermediário pagou US$ 150 mil a partir de uma conta empresarial nos Estados Unidos. A viagem ocorreu após a ordem para que o senador entregasse os passaportes.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou da Argentina para os Estados Unidos em um jato particular cujo voo foi contratado por um intermediário do setor aeronáutico, com pagamento feito a partir de uma conta nos EUA, segundo o proprietário da empresa responsável pelo transporte. Flávio embarcou com a família na madrugada de quarta-feira, em Puerto Iguazú, rumo à Flórida.
Luis Grande, dono da companhia argentina Baires Fly, disse que o intermediário transferiu US$ 150 mil — cerca de R$ 800 mil — de uma conta empresarial em um banco americano para uma instituição financeira argentina. Grande afirmou que conhece o intermediário há dez anos, mas não revelou sua identidade. Segundo ele, o homem vive na Flórida e tem nacionalidade argentina e americana.
Jornais dos Estados Unidos atribuíram a contratação do avião a Jason Miller, assessor de Donald Trump. Grande, porém, disse não conhecer quem contratou o intermediário e afirmou que este também não conhecia o responsável pela operação antes do voo. A Casa Branca não havia se pronunciado sobre o caso.
O proprietário da empresa disse que o voo estava inicialmente marcado para segunda-feira e depois foi adiado para a tarde de terça. Flávio e a família partiram após a meia-noite, depois de cruzarem por terra o controle migratório argentino. O chefe de gabinete do presidente Javier Milei afirmou que a decolagem ocorreu com a documentação regular e sem impedimento da Interpol. Um documento do voo indica que o senador usou passaporte italiano.
A viagem ocorreu depois que a Polícia Federal intimou Flávio a entregar os passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O senador é investigado no caso, que também envolve o advogado Willer Tomaz. A entrega dos documentos foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a pedido da PF, diante de um risco de evasão apontado pela polícia.
Flávio perdeu a eleição presidencial de domingo para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não reconheceu o resultado e afirmou que lideraria a oposição dos Estados Unidos. Na quarta-feira, divulgou uma carta em que se apresentou como “verdadeiro presidente do Brasil”; depois, alterou o texto e passou a se definir como “líder do Brasil”.
Trump não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e chamou a eleição brasileira de “uma vergonha”. O governo brasileiro, por sua vez, busca evitar que o episódio provoque uma crise diplomática e pretende preservar as negociações comerciais com os Estados Unidos. A avaliação no Planalto é que providências sobre a saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, não à Presidência.