Flávio Bolsonaro divulga carta e se declara presidente eleito
No documento, ele alega fraude sem apresentar provas, contesta o resultado da eleição e diz que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro divulgou uma carta em que se declara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter perdido a eleição. Ele alega fraude sem apresentar provas, acusa a campanha de Lula de abuso de poder e diz que liderará a oposição dos Estados Unidos. O senador viajou com a família após descumprir uma ordem para entregar os passaportes.
Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta em que se declara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado na eleição presidencial, e afirma que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. O documento foi divulgado nesta quarta-feira, depois de o senador chegar ao país com a família, após deixar o Brasil e não cumprir uma ordem judicial para entregar os passaportes.
A primeira versão da carta, enviada a jornalistas por Paulo Figueiredo, trazia o brasão antigo do país, com a inscrição “Estados Unidos do Brasil”. O símbolo foi usado entre 1889 e 1968. Treze minutos depois, Figueiredo divulgou uma nova versão, identificada por ele como a que tinha o “brasão correto”: o da República Federativa do Brasil.
No texto, Flávio contesta o resultado do segundo turno e alega fraude, sem apresentar provas. Também acusa o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abuso de poder político e econômico na campanha e defende a cassação da chapa vencedora. O senador cita como motivo de questionamento a prorrogação do horário de votação até as 19h.
A carta não reconhece a vitória de Lula. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a lisura do pleito, e o Partido Liberal (PL) e o candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar, reconheceram o resultado. O senador afirma que fará comunicações regulares aos apoiadores e que apresentará, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização por meios pacíficos e legítimos.
Flávio também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento. Na carta, diz ter levado a família aos Estados Unidos por considerar que sofre perseguição política e afirma que está em segurança no país.
O senador e a família entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). De lá, seguiram de avião para Guayaquil, no Equador, e depois para o aeroporto executivo Opa-locka, na região de Miami. Flávio chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira, às 10h24, segundo os horários informados.
Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal em 24 horas e não deixasse o país. O prazo terminou sem a entrega dos documentos. A ordem foi tomada em um processo no qual o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados; a Polícia Federal apura se Flávio foi beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Para entender
- Tribunal Superior Eleitoral
- O TSE é o órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar e fiscalizar as eleições nacionais, além de julgar questões eleitorais e proclamar os resultados oficiais.