Argentina não anuncia reação à vitória de Lula sobre Flávio
Porta-voz de Milei diz que o governo apenas tomou nota do resultado; relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Argentina continuarão normalmente.
Resumo em 30 segundos
O porta-voz argentino Adrian Ravier afirmou que o governo de Javier Milei não fará comunicado sobre a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Ele justificou a decisão alegando que Lula não cumprimentou Milei pessoalmente em 2023, embora o presidente brasileiro tenha desejado êxito ao novo governo argentino. Ravier disse que as relações comerciais seguirão normalmente.
O governo de Javier Milei não fará comunicado sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira, afirmou nesta terça-feira (27) o porta-voz argentino Adrian Ravier, em entrevista coletiva na Casa Rosada. Ele disse que o governo apenas “tomou nota” do resultado e justificou a decisão com a falta de um cumprimento pessoal de Lula quando Milei foi eleito, em 2023.
A afirmação sobre a reação brasileira naquele ano não corresponde ao que Lula declarou. Após a eleição argentina, o presidente brasileiro parabenizou as instituições do país e a população pela votação e desejou êxito ao novo governo, sem citar Milei pelo nome. Lula também afirmou que o Brasil estaria à disposição para trabalhar com a Argentina.
Questionado sobre possíveis efeitos comerciais da decisão, Ravier disse que a diplomacia e as relações econômicas entre os países continuarão. “Todas as pessoas e empresas, tanto da Argentina quanto do Brasil, que desejem comercializar e estabelecer relações, poderão continuar a fazê-lo com total normalidade”, afirmou. O porta-voz acrescentou que Milei “não é um hipócrita” e atribuiu a falta de manifestação a diferenças ideológicas entre os dois presidentes.
O distanciamento entre Lula e Milei se intensificou durante a campanha eleitoral brasileira. No fim de julho, o presidente argentino foi a São Paulo para participar do lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro e, no discurso, chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Também se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, e o representante argentino em Brasília, Daniel Raimondi. Semanas depois, o Itamaraty decidiu manter Bitelli no Brasil e dispensar Raimondi, medida que rebaixou o nível das relações diplomáticas entre os dois países.
As divergências entre os presidentes vinham de antes da campanha. Em 2023, durante a disputa pela Presidência argentina, Milei chamou Lula de comunista e corrupto. Em junho de 2024, Lula pediu que o argentino se desculpasse; Milei respondeu que havia assuntos mais importantes do que “o ego inflado de algum esquerdinha”.
Desde o início da crise, Milei também publicou mensagens nas redes sociais com ataques ao presidente brasileiro. Em uma delas, escreveu que “os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”, em referência a Lula; em outra, compartilhou uma caricatura do petista entre escombros e ao lado de líderes de esquerda da América Latina.