Flávio Bolsonaro divulga carta e diz que liderará oposição dos EUA
No texto, ele contesta sem apresentar provas a vitória de Lula, acusa autoridades de perseguição política e agradece a Donald Trump e Javier Milei.
Resumo em 30 segundos
Em carta divulgada após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se declarou “verdadeiro presidente eleito” e afirmou que liderará a oposição a partir do exterior. O senador contestou a vitória de Lula e alegou fraude eleitoral sem apresentar provas. Também criticou decisões judiciais e agradeceu a Donald Trump e Javier Milei.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), que é o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e disse que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos. Derrotado na eleição presidencial de domingo (25), ele declarou que deixou o país com a família por considerar que enfrenta perseguição política e agradeceu ao presidente americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei.
No texto, Flávio sustenta que houve fraude eleitoral e contesta a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem apresentar provas para as acusações. Ele afirma que uma decisão judicial teria prorrogado o horário de votação e que Lula teria recebido mais de 10 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno. Também acusa a campanha adversária de abuso de poder político e econômico e de uso da máquina pública.
A carta não informa a data de cada turno nem detalha as decisões judiciais citadas. Flávio diz que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não teria respondido de forma convincente às suas alegações e afirma que a chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin deveria ser cassada. As declarações são do senador; o texto não apresenta documentos ou decisões que comprovem as acusações.
Flávio também critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem atribui atuação parcial e politicamente motivada. Segundo ele, Moraes iniciou procedimentos contra si minutos depois do que chama de fraude eleitoral. O senador afirma que não há mandado de prisão contra ele e descreve uma suposta sequência de medidas que, em sua avaliação, poderia terminar em condenação política.
A saída do Brasil ocorreu após uma ordem de Moraes para que Flávio entregasse os passaportes comum e diplomático e não deixasse o país. A Polícia Federal havia solicitado a apreensão dos documentos, alegando risco concreto de fuga. O senador declarou anteriormente que cumpriria a determinação, mas deixou o país e chegou a Miami nesta quarta-feira, depois de passar pela Argentina.
Na carta, Flávio não explica como saiu do Brasil apesar da restrição judicial. Ele afirma que não considera sua partida uma fuga e diz ter levado a família aos Estados Unidos para protegê-la do que chama de instrumentalização da Justiça. A decisão de deixar o país e as alegações de perseguição estão no centro da controvérsia sobre o cumprimento da ordem judicial.
O senador agradece a Trump e ao governo americano por, segundo ele, acolherem a família e oferecerem segurança jurídica. Na terça-feira (27), Trump disse que aprovaria a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos e declarou que considerava as eleições brasileiras “realmente estranhas”. O Departamento de Estado confirmou que concederá vistos, mas não esclareceu publicamente a categoria nem informou se há um pedido formal de proteção internacional.
A possibilidade de acolhimento provocou críticas de parlamentares democratas nos Estados Unidos. Integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes questionaram a decisão e cobraram explicações sobre o possível papel do governo Trump na saída do senador. O deputado Joaquin Castro afirmou que perder uma eleição não é motivo para pedir asilo; Shri Thanedar acusou Flávio de tentar escapar de investigações brasileiras. As críticas são dos congressistas, e não há confirmação pública de que o senador tenha solicitado asilo.
O texto de Flávio apresenta sua saída como parte de uma luta política e compara sua situação à de figuras históricas que atuaram fora de seus países. Ele cita Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de opositores venezuelanos. Também afirma que falará regularmente aos brasileiros e que divulgará nos próximos dias uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que descreve como pacíficos e legítimos.
A carta convoca instituições brasileiras a restabelecer o que o senador considera equilíbrio entre os Poderes e pede à comunidade internacional que não trate como normal a situação do país. Flávio diz ainda que pretende ser a voz de apoiadores que, segundo ele, não têm liberdade para se manifestar. A mensagem termina com a afirmação de que a luta continuará até que o Brasil volte a ser, nas palavras dele, um país livre.
A ordem de entrega dos passaportes integra uma investigação conduzida no STF; medidas cautelares são determinações judiciais que podem restringir direitos antes de uma decisão final, conforme as circunstâncias do processo. A Polícia Federal solicitou o cancelamento dos documentos, e o passaporte comum foi cancelado. A carta, porém, não aborda o andamento formal do processo nem apresenta uma resposta às acusações feitas contra o senador.