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Domingo, 25 de outubro de 2026

Evangélicos brancos mantêm apoio a Trump antes das eleições de 2026

As eleições de meio de mandato dos EUA serão em 3 de novembro; o apoio a Trump entre evangélicos brancos caiu para 63%, mas segue acima dos demais grupos.

Por Redação Plantão Paulista 5 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fiéis acompanham um sermão em uma igreja evangélica nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fiéis acompanham um sermão em uma igreja evangélica nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

O apoio dos evangélicos brancos a Donald Trump recuou, mas permanece em 63%, segundo pesquisas Reuters/Ipsos. O grupo pode influenciar disputas apertadas nas eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para 3 de novembro. Na Carolina do Sul, questões religiosas e sociais pesam na corrida ao Senado entre Darline Graham e Annie Andrews.

A lealdade dos evangélicos brancos a Donald Trump continua sendo um trunfo para os republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. Embora o apoio ao presidente tenha recuado em pesquisas recentes, ele permanece acima de 60% nesse grupo, que pode influenciar disputas apertadas pelo Senado, inclusive na Carolina do Sul.

As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial: os eleitores escolhem todos os integrantes da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de cargos estaduais e locais. A votação pode alterar o controle do Congresso e, com isso, a capacidade do presidente de aprovar sua agenda. Neste ciclo, a disputa sul-carolinense opõe a republicana Darline Graham à democrata Annie Andrews por uma cadeira no Senado.

Graham foi indicada pelo governador para ocupar a vaga deixada pelo irmão falecido, o senador Lindsey Graham. Ela recebeu o apoio de Trump, mas enfrenta resistência de conservadores que questionam sua experiência e suas credenciais partidárias. Em agosto, venceu por margem estreita o deputado federal Ralph Norman no segundo turno da disputa republicana.

A disputa tem atraído atenção por estar mais competitiva do que o esperado. Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo Trafalgar Group, empresa de pesquisa com tendência republicana, mostrou Andrews três pontos percentuais atrás de Graham. O resultado é um retrato pontual da corrida, não uma previsão definitiva do resultado eleitoral.

Na semana passada, centenas de pessoas participaram de um sermão semanal chamado “Bíblia e Política” na Village Church, em Blythewood, na Carolina do Sul. O pastor Erik Estep não declarou apoio a candidatos, mas pediu aos fiéis que avaliassem a política sob uma perspectiva bíblica. “Acredito que a igreja é o baluarte da verdade para nossa nação”, afirmou. “E serão necessárias pessoas como vocês e igrejas como esta para proteger esta nação espiritual e moralmente.”

Karen Whiting, executiva aposentada do setor farmacêutico, de 72 anos, disse que pretende votar em Graham. Ela apontou preocupação com a participação de mulheres transgênero em esportes femininos e afirmou que escolhe com base em princípios religiosos. “Estou votando em favor dos princípios bíblicos e não acredito que o Partido Democrata defenda esses princípios”, disse.

Andrews, porém, afirmou em um anúncio de campanha que se opõe à participação de mulheres transgênero em esportes femininos e a cirurgias de afirmação de gênero para menores de idade. Em declaração, disse que conversou com pessoas de diferentes religiões, posições políticas e origens em igrejas evangélicas e que a economia era a principal preocupação dos eleitores. “Eles estão enfrentando dificuldades com o custo de tudo. É por isso que estou concorrendo”, afirmou.

As questões sociais também apareceram em um guia de candidatos produzido pelo Palmetto Family Council, grupo cristão conservador, e distribuído a igrejas na Carolina do Sul. O material avaliou sete temas e marcou Graham favoravelmente em todos, entre eles restrições à medicação abortiva e aos cuidados de afirmação de gênero. Andrews recebeu principalmente avaliações desfavoráveis.

Trump fez campanha por Graham em um comício na noite de quarta-feira na Universidade de Clemson. Em seu discurso, concentrou críticas em questões relacionadas a pessoas transgênero e acusou Andrews de apoiar a “mutilação sexual” de crianças. A afirmação foi falsa: a candidata declarou oposição a cirurgias de afirmação de gênero para menores.

Pesquisas Reuters/Ipsos indicam que o apoio a Trump entre evangélicos brancos caiu de 77% em janeiro de 2025 para 63% neste mês. Entre o eleitorado em geral, a mesma medida recuou de 47% para 31%. Ainda assim, os evangélicos brancos são o único grande grupo demográfico acompanhado pela pesquisa em que o apoio ao presidente ultrapassa 60%.

Entrevistas com 15 pessoas em duas igrejas da Carolina do Sul apontaram que a influência de Trump permanece forte entre os fiéis ouvidos. Apenas duas disseram considerar votar em Andrews, e nenhuma afirmou ter deixado de apoiar o presidente. Alguns demonstraram frustração com a guerra contra o Irã, que está em seu oitavo mês, e com o preço da gasolina; a maioria, porém, disse confiar que Trump impedirá o país de obter uma arma nuclear ou atribuiu a inflação a políticas do ex-presidente democrata Joe Biden.

Os evangélicos brancos correspondem a cerca de 13% dos adultos dos Estados Unidos, mas formaram quase um terço da coalizão que elegeu Trump em 2024, segundo dados do Public Religion Research Institute e uma análise do Pew Research Center. Mais de 80% votaram nele em cada uma de suas três campanhas presidenciais, de acordo com o Pew. O grupo difere dos evangélicos protestantes negros, que apoiam majoritariamente os democratas.

O presidente do Public Religion Research Institute, Robert P. Jones, descreve como um “grande acordo” a aliança política consolidada em 2016: parte dos evangélicos priorizou o compromisso de Trump com restrições ao aborto, oposição aos direitos LGBTQ e políticas de imigração rígidas, apesar de controvérsias sobre sua vida pessoal. A dúvida para os republicanos é se o custo de vida e a insatisfação com a guerra enfraquecerão essa relação. O peso eleitoral do grupo também pode ser relevante em disputas pelo Senado em Iowa e no Kansas, onde os evangélicos brancos representam parcela significativa do eleitorado.

Na Carolina do Sul, até eleitores pouco entusiasmados com Graham demonstram hesitação em apoiar Andrews. Kevin Thomas, de 53 anos, que havia apoiado Norman na disputa republicana, disse que não confia na democrata em questões relacionadas a pessoas transgênero. “Estou inclinado a tapar o nariz e votar em Graham”, afirmou. “Não estou disposto a sacrificar seis anos tendo uma democrata nos representando na Carolina do Sul.”

Fontes: Valor Econômico

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