Pesquisa nos EUA aponta queda no apoio à pena de morte
Levantamento Reuters/Ipsos mostra que 55% dos adultos apoiam a pena capital, ante 63% em 2017; 71% rejeitam transmitir execuções.
Resumo em 30 segundos
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.679 adultos nos Estados Unidos. Além da queda no apoio à pena de morte desde 2017, o levantamento mostrou opiniões divididas sobre uma nova tentativa de execução após uma falha. A maioria também rejeita transmitir execuções pela televisão ou pela internet.
A maioria dos adultos nos Estados Unidos ainda apoia a pena de morte para pessoas condenadas por crimes graves, mas a proporção caiu desde 2017, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira. O levantamento também registrou ampla rejeição à transmissão pública de execuções e opiniões divididas sobre o que fazer quando uma tentativa de execução fracassa.
Entre os entrevistados, 55% disseram apoiar a pena capital, ante 63% em 2017. Outros 31% se declararam contrários e 13% não souberam responder. A pesquisa ouviu 1.679 adultos pela internet, em âmbito nacional, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O debate sobre novas tentativas ganhou força após Christa Pike, de 50 anos, sobreviver a uma execução por injeção letal no mês passado, em Nashville, capital do Tennessee. Condenada por assassinato, ela foi levada inconsciente e em estado crítico ao hospital depois que duas seringas com pentobarbital não conseguiram matá-la. Pike recuperou a consciência cinco dias depois.
Diante da hipótese de uma execução malsucedida, um terço dos participantes defendeu que o governo tente executar novamente a pessoa condenada. Para 39%, a alternativa deveria ser a prisão perpétua; 26% não souberam indicar uma opção. Recentemente, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou um estado a avançar no agendamento de uma segunda data de execução para um condenado que havia sobrevivido à primeira tentativa.
A pesquisa também perguntou sobre o pelotão de fuzilamento, método considerado para executar Nidal Hasan, ex-major do Exército condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas. A proposta de transmitir a execução pela internet foi apresentada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, mas o presidente Donald Trump cancelou o plano após críticas, inclusive de parlamentares republicanos.
Sobre o método, 46% consideraram apropriado que Hasan fosse morto por fuzilamento. O apoio chegou a 71% entre republicanos e foi de 29% entre democratas. Já a transmissão de execuções pela televisão ou pela internet foi rejeitada por 71% dos entrevistados, com oposição majoritária nos dois grupos partidários.
A pena de morte foi abolida em 23 estados americanos e na maior parte dos países. Nos estados que ainda a aplicam, a dificuldade para obter os medicamentos usados na injeção letal levou algumas jurisdições a considerar alternativas, entre elas o pelotão de fuzilamento.