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Domingo, 25 de outubro de 2026

Netanyahu defende criptomoedas contra possíveis sanções

O Banco de Israel contesta a proposta, enquanto mais de 100 economistas e adversários políticos alertam para riscos à economia e à segurança.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Político discursa em uma sala de governo com telas ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Político discursa em uma sala de governo com telas ao fundo.
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Benjamin Netanyahu afirmou que Israel estuda usar criptomoedas e blockchain diante da possibilidade de sanções internacionais que atinjam bancos. O Banco de Israel diz que esses ativos não permitem driblar restrições. Mais de 100 economistas e adversários políticos criticaram a ideia às vésperas da eleição legislativa de terça-feira, 27 de outubro.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país estuda recorrer a criptomoedas e à tecnologia blockchain para enfrentar possíveis sanções internacionais, em entrevista na sexta-feira (23). A declaração, feita às vésperas da eleição legislativa de terça-feira (27), recebeu críticas do Banco de Israel, de economistas e de adversários políticos.

Netanyahu disse que sanções mais amplas poderiam atingir bancos e defendeu a criação de uma “economia alternativa”. Questionado se falava de criptomoedas, respondeu que sim. Criptomoedas são ativos digitais negociados por redes de computadores; a blockchain é a tecnologia que registra e valida transações nessas redes.

O Banco de Israel contestou a proposta. A instituição afirmou que criptomoedas não permitem contornar sanções e recomendou que o governo priorize a preservação das relações econômicas com os principais parceiros comerciais e medidas para evitar restrições e seus efeitos.

Mais de 100 economistas assinaram uma carta contra a ideia. Entre eles estão ex-integrantes do Banco de Israel, o ex-presidente do banco central Jacob Frenkel e ganhadores do Nobel. O grupo afirmou que sanções poderiam elevar o desemprego, reduzir o investimento estrangeiro e enfraquecer a posição econômica do país. A carta também alertou para uma possível queda no padrão de vida e dificuldades para financiar a segurança nacional.

Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu na disputa, chamou o plano de “loucura” e disse temer que a proposta leve empresas a deixar Israel e prejudique a segurança. O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou que o premiê estaria prometendo aos eleitores dificuldades para obter alimentos, comparáveis às que, segundo ele, ocorrem na Rússia e no Irã.

As críticas ocorrem em meio a medidas de alguns aliados de Israel contra a política de assentamentos na Cisjordânia. Reino Unido, França e Canadá anunciaram no mês passado que bloqueariam importações provenientes de assentamentos israelenses no território. As restrições comerciais são uma das pressões que alimentam o debate sobre o risco de maior isolamento econômico do país.

A eleição pode resultar em um impasse parlamentar: pesquisas citadas apontam que tanto a coalizão governista de Netanyahu quanto a aliança de oposição podem ficar sem maioria para formar governo. Neste domingo, o premiê pediu apoio aos eleitores e defendeu sua gestão. Também afirmou que ele e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm dois anos para trabalhar juntos com o objetivo de derrubar os governantes do Irã.

As sanções são medidas restritivas adotadas por governos, como limitações a comércio ou operações financeiras. Seu alcance depende das decisões dos países que as impõem; criptomoedas não eliminam automaticamente essas restrições, especialmente quando transações envolvem instituições financeiras ou empresas sujeitas às regras desses países.

Fontes: Valor Econômico, Estadão, Folha de S.Paulo

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