Deputados dos EUA pressionam Trump a retomar sanções contra a Rússia
Em carta, 22 parlamentares pedem a aplicação integral das punições e o fim do acordo que permite vender diesel russo no mercado internacional.
Resumo em 30 segundos
Vinte e dois deputados americanos pediram a Donald Trump que retome integralmente as sanções contra a Rússia e encerre o acordo sobre a venda de diesel russo. Outros 12 senadores fizeram pedido semelhante. A pressão ocorre após Trump suspender novas punições e em meio a questionamentos sobre restrições ao sistema Starshield usado pela Ucrânia.
Vinte e dois deputados dos Estados Unidos — 17 democratas e cinco republicanos — pediram a Donald Trump nesta quinta-feira, 22 de outubro, que volte a aplicar integralmente as sanções contra a Rússia e encerre o acordo que permite a venda de diesel russo no mercado internacional. Os parlamentares afirmam que aliviar a pressão econômica pode beneficiar Moscou enquanto a guerra na Ucrânia continua.
Em carta enviada ao presidente, os deputados defenderam que as punições aprovadas pelo Congresso sejam impostas “em sua máxima extensão e sem demora”. Entre os republicanos que assinaram estão Brian Fitzpatrick, Michael McCaul, Don Bacon, Joe Wilson e Dan Newhouse. “Putin tem demonstrado repetidamente que responde à pressão, não à boa vontade”, escreveram.
A mobilização ocorre depois que Trump autorizou, no início deste mês, a comercialização de diesel russo com o objetivo de ampliar a oferta internacional e conter a alta dos combustíveis nos Estados Unidos. Em 16 de outubro, ele assinou um decreto que suspendeu a aplicação de novas sanções previstas em uma lei aprovada pelo Congresso no mês anterior.
A legislação, chamada de lei Lindsey Graham, prevê medidas contra autoridades, bancos e empresas russas, além de tarifas de até 100% sobre produtos do país. Também permite punições a governos que financiem indiretamente a guerra. A norma autoriza o presidente a suspender determinadas medidas por razões de interesse nacional.
Em outra iniciativa, 12 senadores, divididos igualmente entre republicanos e democratas, solicitaram a Trump o cancelamento do acordo sobre o diesel. Eles afirmaram que a venda livre do combustível nos mercados globais prejudicaria a segurança dos Estados Unidos e daria ao Kremlin novas receitas para financiar a guerra.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, também manifestou preocupação. Em entrevista no domingo, 18 de outubro, disse que o Congresso aprovou as sanções por ampla maioria e que pretendia discutir com a Casa Branca as consequências da suspensão. “Entendemos que Putin não é confiável. Ele demonstra isso repetidamente”, afirmou.
A disputa sobre as sanções ocorre em meio a questionamentos sobre restrições ao Starshield, sistema de comunicação militar da Starlink, empresa da SpaceX, usado pelas forças ucranianas. Autoridades de Kiev disseram que, em 14 de outubro, o serviço foi limitado a equipamentos do país, prejudicando operações com drones contra alvos russos e para interceptar aeronaves.
Integrantes do governo ucraniano suspeitaram que a limitação buscava pressionar Kiev a interromper ataques a refinarias russas. Washington negou que Trump tenha ordenado a medida, e Elon Musk afirmou que o Starshield é controlado pelo governo americano. Fitzpatrick ameaçou abrir investigações no Congresso caso a restrição tenha sido deliberada, com possibilidade de audiências e cortes de recursos de órgãos envolvidos.
A porta-voz da Casa Branca Taylor Rogers afirmou que Trump busca encerrar a guerra e poderá retomar as sanções quando considerar que isso atende aos interesses dos Estados Unidos. A pressão parlamentar ocorre a menos de duas semanas das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro.
Para entender
- Lei Lindsey Graham
- Nome dado à legislação americana que prevê sanções contra autoridades, bancos e empresas russas, além de tarifas sobre produtos do país. A norma também prevê medidas contra governos que financiem indiretamente a guerra e permite ao presidente suspender determinadas punições por razões de interesse nacional.
- Starshield
- Sistema de comunicação por satélite voltado a aplicações governamentais e militares, desenvolvido pela SpaceX. É distinto do serviço Starlink de uso comercial, embora ambos façam parte das iniciativas de conectividade por satélite da empresa.