Eduardo Paes retoma campanha por segundo turno no Rio
O ex-prefeito defende que a votação ocorra em 6 de dezembro, enquanto o STF analisa ação do PSD contra a anulação dos votos de Garotinho.
Resumo em 30 segundos
Eduardo Paes pediu que eleitores do Rio se mobilizem pela realização de um segundo turno para o governo estadual. O PSD contesta no STF a anulação dos votos de Anthony Garotinho, que elevou a votação de Douglas Ruas a 50,88% e levou à proclamação de sua vitória no primeiro turno. Paes defende uma nova votação em 6 de dezembro.
Eduardo Paes (PSD) pediu nesta terça-feira que eleitores do Rio de Janeiro se mobilizem pela realização de um segundo turno para o governo do estado. A disputa foi encerrada no primeiro turno, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e proclamar Douglas Ruas (PL) eleito. Paes e seu partido contestam a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes afirmou que está retomando a campanha pelo segundo turno e defendeu que a votação seja realizada em 6 de dezembro, data prevista para eleições suplementares pela Justiça Eleitoral. Ele disse que a escolha dos eleitores no primeiro turno indicava a realização de uma segunda etapa e citou a regra constitucional que prevê segundo turno quando nenhum candidato alcança maioria absoluta dos votos válidos.
No primeiro resultado da eleição, Ruas obteve 49,27% dos votos válidos e Paes ficou em segundo lugar, com 42,76%. Garotinho recebeu 274.411 votos. Quatro dias depois do pleito, em 8 de outubro, o TSE negou o registro de sua candidatura e anulou os votos. Com a retotalização feita pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), em 10 de outubro, a parcela de votos válidos de Ruas subiu para 50,88%, e ele foi declarado eleito no primeiro turno.
O PSD acionou o STF para questionar a exclusão dos votos de Garotinho do cálculo que determinou se haveria segundo turno. A legenda argumenta que os votos dados a um candidato que esteve nas urnas, embora sua candidatura estivesse sob análise judicial, não deveriam ser tratados como votos nulos. O partido pede que seja restabelecida a realização da segunda etapa, inicialmente marcada para 25 de outubro.
A ação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin. A análise aguarda manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU). A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é um tipo de ação apresentado ao STF para questionar atos que possam contrariar preceitos fundamentais da Constituição.
Paes afirmou que a disputa judicial não trata de favorecer um candidato, mas de respeitar o que considera a vontade expressa nas urnas. O ex-prefeito também disse que só passou a falar publicamente do tema depois da eleição presidencial, para que o país pudesse votar com tranquilidade.
A mobilização já inclui o grupo “Exército do Dudu 55”, que reúne mais de 250 mil seguidores, e um abaixo-assinado pela realização do segundo turno, com 314 mil assinaturas. Deputados aliados de Paes também têm divulgado a reivindicação nas redes sociais.
Ruas criticou a iniciativa do PSD e afirmou que a Justiça Eleitoral já proclamou o resultado. Em declaração nesta terça-feira, disse que considera superada a discussão e que questionar a decisão pode estimular a população a se voltar contra o TSE e o STF.