Eduardo Paes reconhece fim do segundo turno na eleição do Rio
Ministro Cristiano Zanin negou pedido para suspender decisão do TSE; Douglas Ruas pode superar 50% dos votos válidos, mas falta retotalizar a votação.
Resumo em 30 segundos
Eduardo Paes afirmou que respeita a decisão que impede o segundo turno na eleição para o governo do Rio de Janeiro. O ministro Cristiano Zanin negou pedido da coligação para suspender a decisão do TSE, que anulou os votos de Anthony Garotinho. Com a mudança na base de cálculo, Douglas Ruas pode superar 50% dos votos válidos; o resultado depende da retotalização pelo TRE-RJ.
Eduardo Paes (PSD) reconheceu na noite de quinta-feira que não haverá segundo turno na eleição para o governo do Rio de Janeiro, após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar pedido para suspender uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão abre caminho para Douglas Ruas (PL) ser eleito no primeiro turno, mas a proclamação do resultado depende da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Em nota, Paes afirmou que respeita a decisão judicial, embora tenha contestado a conclusão de que a disputa deve terminar no primeiro turno. “No último domingo, a maioria dos eleitores fluminenses votou para que a eleição para governador do Rio de Janeiro fosse decidida no segundo turno. Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores”, declarou.
O ex-prefeito disse que o PSD continuará acompanhando e cobrando o governo estadual, que classificou como continuidade do grupo político que está no poder há oito anos. Também afirmou que o partido seguirá defendendo mudanças no estado, sobretudo na segurança pública, área que descreveu como parte de uma das maiores crises da história fluminense.
Paes não citou Ruas na manifestação. Ele agradeceu aos eleitores da capital pela vitória obtida na cidade e destacou sua trajetória como prefeito do Rio, cargo que ocupou por quatro mandatos. O aliado Eduardo Cavaliere (PSD) comanda atualmente a prefeitura.
A disputa judicial começou após o TSE rejeitar a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinar a anulação dos 274.411 votos que ele recebeu no primeiro turno. Com esses votos fora da contagem, Ruas, que teve 4.271.199 votos, passa de 49,27% para cerca de 50,9% dos votos válidos. Paes recebeu 3.706.984 votos.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. A retirada dos votos de Garotinho altera a base usada nesse cálculo e pode elevar Ruas acima desse limite. O TSE tomou a decisão por cinco votos a dois; dois ministros defenderam que os votos de Garotinho fossem mantidos no cálculo.
A coligação de Paes havia recorrido ao STF e pedido uma medida cautelar para garantir o segundo turno. Zanin negou o pedido e indicou que ainda havia possibilidade de recursos no próprio TSE, razão pela qual o Supremo não deveria acolhê-lo naquele momento. Após a decisão, Paes desistiu de apresentar novas medidas.
A retotalização, procedimento de recontagem oficial dos votos válidos conforme a decisão judicial, cabe ao TRE-RJ, que ainda não havia definido uma data. A campanha de segundo turno, cuja propaganda gratuita seria retomada nesta sexta-feira, não seguirá adiante.
Para entender
- Retotalização
- É o procedimento oficial de recontagem dos votos pela Justiça Eleitoral. Neste caso, o TRE-RJ deve recalcular o resultado conforme a decisão do TSE que determinou a anulação dos votos de Anthony Garotinho.
- Votos válidos
- São os votos atribuídos a candidatos e partidos, usados em cálculos eleitorais como o da maioria absoluta. Votos brancos e nulos não entram nessa conta; decisões judiciais sobre candidaturas também podem alterar quais votos compõem a base do cálculo.