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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Edinho Silva propõe afastar dirigentes do PT que não apoiaram Lula

A iniciativa, discutida pela Executiva Nacional, pode levar a expulsões e tem como principal alvo Washington Quaquá, vice-presidente da sigla e prefeito de Maricá.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Dirigentes políticos participam de uma reunião interna em uma sala de conferências. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Dirigentes políticos participam de uma reunião interna em uma sala de conferências.
Resumo em 30 segundos

Edinho Silva defende afastar dirigentes do PT que, na avaliação dele, não se empenharam na campanha presidencial de Lula. A proposta pode levar a expulsões e tem Washington Quaquá como principal alvo. O prefeito contesta a iniciativa, enquanto a disputa pode reabrir divisões na corrente majoritária do partido, a CNB.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, propôs a saída de dirigentes que, segundo ele, não se empenharam na campanha presidencial de Lula. A iniciativa, discutida na quinta-feira (29) em reunião da Executiva Nacional, pode levar a processos de expulsão e tem como principal alvo o vice-presidente da sigla e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá.

Com o aval de Lula, Edinho defende uma renovação do partido e uma nova maioria interna. No encerramento do encontro, falou em “divórcio litigioso” para se referir à possibilidade de expulsão de filiados que não deixem a legenda voluntariamente. Ele relatou ter conversado com o presidente sobre o futuro do PT e disse que a sigla não deve servir à projeção ou ao enriquecimento pessoal, mas a um projeto coletivo.

A cobrança está relacionada à atuação de dirigentes durante a campanha. Diego Zeidan, filho de Quaquá e presidente estadual do PT no Rio, viajou para a Bahia depois do primeiro turno, o que levou a uma intervenção na coordenação da campanha no estado. Quaquá afirmou que coordenou a campanha de Lula no Rio e que o filho se afastou por quatro dias, por orientação médica, após um pico de pressão.

O prefeito faltou à reunião da Executiva e se opôs à realização do encontro, por considerar que aquele não era o espaço adequado para avaliar a campanha. Em mensagens a integrantes do partido, tentou articular uma dissidência contra Edinho. Quaquá também acusou o presidente da sigla de mentir e afirmou que ele teme disputar o comando do PT. “Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença que sou de favela. Se alguém tem que tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz”, declarou.

Quaquá é presidente do PT no Rio e já enfrenta pedidos de expulsão apresentados à comissão de ética do partido. As solicitações foram motivadas, entre outros posicionamentos, pela defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco, e pelo apoio a uma operação policial que deixou 120 mortos no Rio. Os pedidos, porém, não avançaram até agora.

A disputa também envolve a divulgação de materiais de campanha. Em setembro, Edinho cobrou que panfletos de candidatos petistas incluíssem Lula e candidatos majoritários apoiados pelo partido. Ele ameaçou exigir a devolução de recursos do fundo eleitoral em caso de descumprimento. A cobrança ocorreu em meio a acusações de infidelidade partidária relacionadas a materiais que omitiram nomes de candidatos a governos estaduais, ao Senado e, em alguns casos, do próprio presidente.

Lula tem defendido que o PT responda às manifestações de apoio à sua reeleição e se alinhe às propostas apresentadas na campanha. Segundo relatos de integrantes do partido, o presidente teme que jovens mobilizados em favor de sua candidatura criem outra legenda caso o PT não mude. Entre as propostas citadas está a redução do peso das emendas parlamentares no Orçamento.

A tentativa de afastar dirigentes pode reabrir uma disputa na Construindo um Novo Brasil (CNB), corrente majoritária do PT que reúne Edinho e seus críticos. Os dois grupos apoiaram Edinho na eleição para a presidência do partido após um acordo articulado por Lula; Quaquá também declarou apoio a ele. A eventual expulsão de integrantes, portanto, pode afetar uma aliança interna que sustentou a escolha do atual presidente da sigla.

Para entender

CNB
Construindo um Novo Brasil é uma corrente interna do PT e a maior força do partido. Seus integrantes podem formar alianças e disputar posições de liderança dentro da legenda.

Fontes: Folha de S.Paulo

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