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Domingo, 1 de novembro de 2026

PT convoca diretório nacional para avaliar campanha e discutir mudanças

A reunião presencial será em Brasília, em 13 de novembro, após críticas à condução da campanha e cobranças por mais autonomia na distribuição de recursos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de reunião política em Brasília, com participantes conversando ao redor de uma mesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de reunião política em Brasília, com participantes conversando ao redor de uma mesa.
Resumo em 30 segundos

O Diretório Nacional do PT se reunirá em Brasília em 13 de novembro para avaliar a campanha eleitoral e discutir mudanças na organização do partido. A convocação veio após críticas internas à condução de Edinho Silva e pedidos por mais autonomia na distribuição de recursos. Dirigentes também articulam um congresso sobre renovação no ano que vem.

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará em 13 de novembro uma reunião presencial de seu Diretório Nacional, em Brasília, para avaliar a campanha eleitoral e discutir mudanças na organização da sigla. A convocação foi feita pelo presidente do partido, Edinho Silva, após dirigentes cobrarem que a análise ocorresse no principal órgão partidário, e não apenas na Executiva Nacional.

A reunião acontece em meio a críticas internas à condução da campanha, coordenada por Edinho. Dirigentes apontam concentração de decisões e líderes estaduais pedem mais autonomia para definir o destino dos recursos do partido. Também há articulação para realizar, no ano que vem, um congresso dedicado à renovação e a outros temas ligados ao futuro da legenda.

Na quinta-feira, 29 de outubro, integrantes de uma ala do PT deixaram de participar de uma reunião da Executiva Nacional. Eles consideraram que aquele colegiado não era o espaço adequado para avaliar a campanha. Sob pressão, Edinho convocou o Diretório Nacional, instância máxima do partido.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a organização da campanha em uma fala à militância que foi divulgada por engano em um canal do PT. “Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, afirmou.

As reclamações incluem mudanças nos valores repassados a candidatos durante a disputa. Alguns concorrentes disseram que precisaram rever os gastos após a alteração dos recursos. Parlamentares eleitos querem ampliar o controle sobre o dinheiro do partido, mas a proposta enfrenta resistência de dirigentes estaduais e de setores que defendem a renovação da sigla.

Lideranças locais argumentam que conhecem melhor as disputas de seus estados e, por isso, podem identificar candidatos com potencial para receber mais recursos. O caso citado é o de Cadu de Lula, eleito governador do Rio Grande do Norte: ele recebeu R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional para os dois turnos, enquanto candidatos a deputado federal obtiveram repasses maiores.

A discussão sobre a distribuição de recursos pode influenciar a escolha e o fortalecimento de novas lideranças. Há anos, dirigentes do Nordeste reivindicam maior peso na direção partidária, já que estados como Bahia, Ceará e Piauí estão entre os principais redutos eleitorais do PT. São Paulo, porém, tem mais filiados, fator que dá vantagem aos paulistas nas votações internas.

Edinho também contrariou aliados ao anunciar candidatura à Câmara dos Deputados. Segundo dirigentes, sua posição de destaque à frente da sigla poderia atrair votos em prejuízo de outros candidatos paulistas. Ele tem dito a interlocutores que o PT precisa rever sua estrutura, renovar quadros e mudar a forma de se comunicar.

Uma diretriz aprovada pela Executiva na quinta-feira defende ampliar a participação de jovens e a presença do partido nos territórios. O texto propõe uma campanha de filiação de jovens e novas formas de organização e mobilização, com o objetivo de transformar apoio eleitoral em participação política contínua.

O debate sobre o futuro do PT também envolve a sucessão de Lula. Aliados citam o senador Camilo Santana, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o ex-ministro Fernando Haddad como possíveis nomes para a eleição presidencial de 2030. Ainda assim, afirmam que Lula deverá conduzir o processo e que a escolha não deve ser antecipada.

Lula participou das articulações das dez eleições presidenciais disputadas pelo PT e foi candidato em sete. Ao fim do mandato que começa em 5 de janeiro, terá 85 anos e não deverá concorrer novamente, segundo a avaliação de aliados. Eles ressaltam, porém, que os nomes hoje considerados possíveis sucessores podem mudar até a definição da candidatura.

Para entender

Diretório Nacional do PT
É uma instância de direção do Partido dos Trabalhadores, formada por representantes da legenda. Entre suas atribuições estão debater orientações políticas e decisões partidárias. A reunião anunciada foi convocada para avaliar a campanha e discutir a organização do partido.

Fontes: Folha de S.Paulo

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