Edinho Silva diz que proposta de Lara Resende não foi debatida
Ministro da Fazenda também nega reunião de Lula com o economista e diz que reduzir a Selic para 7,5% não está em avaliação pelo governo.
Resumo em 30 segundos
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a proposta de André Lara Resende para reduzir os juros não foi discutida com o partido nem com Lula. O ministro Dario Durigan também negou que o governo avalie o plano, que prevê levar a Selic a 7,5% em 12 meses, e defendeu um ajuste gradual das contas públicas.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira que a proposta do economista André Lara Resende para reduzir a taxa básica de juros não foi discutida com o partido nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Edinho, também não há uma agenda prevista para tratar do assunto com o economista.
“Essa proposta nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso”, disse Edinho em entrevista publicada nesta terça-feira. A declaração ocorre após relatos de que Lara Resende poderia se reunir com Lula nesta semana para apresentar suas ideias sobre a política monetária.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também afirmou nesta terça-feira que não há encontro marcado entre o presidente e o economista. Durigan disse que a ideia não está em avaliação pelo governo e apontou o que considera deficiências na proposta. Segundo ele, Lula tem conversado sobre política econômica com integrantes da própria equipe, incluindo o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
Durigan afirmou que o governo discute um “ajuste gradual” das contas públicas, mas que esse debate ainda não foi concluído internamente. Ele disse que a proposta de Lara Resende foi apresentada ao debate público e que poderá conversar com o economista e outros especialistas, sem que isso signifique que o plano esteja sobre a mesa do governo.
O artigo de Lara Resende, publicado em 25 de setembro com o título “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, defende que o principal fator de desequilíbrio das contas públicas não seria o gasto primário, mas o custo dos juros da dívida. O economista propõe reduzir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, para 7,5% ao longo de 12 meses e, depois, mantê-la entre a meta de inflação, de 3%, e a soma da meta com o crescimento potencial da economia, estimado por ele em 5,5%.
A Selic é a taxa básica definida pelo Banco Central e serve de referência para juros cobrados em empréstimos e financiamentos, além de influenciar o custo da dívida pública e as decisões de consumo e investimento. No plano de Lara Resende, um Conselho Fiscal e Monetário Nacional estabeleceria metas fiscais e monetárias para períodos de quatro a cinco anos. Ele também sugere que o Banco Central use reservas internacionais para conter pressões sobre o câmbio durante a transição.
Durigan negou que o governo avalie estabelecer um limite para a Selic ou usar as reservas internacionais com esse objetivo. Em vez disso, defendeu a condução gradual das contas públicas e afirmou que as conversas com Lula não justificam, em sua avaliação, temor no mercado financeiro. As medidas citadas pelo economista geraram preocupação entre agentes do mercado sobre o rumo da dívida pública; economistas também levantaram dúvidas sobre possíveis efeitos da proposta na inflação e nos juros de longo prazo.
A ideia recebeu apoio público de integrantes do PT. A ex-presidente do partido e ex-ministra Gleisi Hoffmann classificou o artigo como “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, em publicação nas redes sociais no domingo. Edinho, por sua vez, afirmou que o tema não foi debatido internamente na legenda.
Durigan disse ainda que o governo pretende manter um ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha. A discussão interna sobre a política fiscal segue em andamento, enquanto o ministro afirmou que Lula responderá às preocupações sobre a orientação econômica do governo.