Dario Durigan diz que Lula descarta tabelar juros e nega reunião
O ministro afirma que não há encontro marcado com André Lara Resende, cuja proposta prevê reduzir a Selic com metas fiscais e monetárias conjuntas.
Resumo em 30 segundos
Dario Durigan afirmou que Lula não considera tabelar os juros e não tem reunião prevista com André Lara Resende. O economista defende reduzir a Selic por meio de metas conjuntas para as políticas fiscal e monetária. A proposta provocou preocupação no mercado e reacendeu o debate sobre as contas públicas e a equipe econômica do governo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou neste domingo (1º) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não considera tabelar os juros e não tem reunião marcada com o economista André Lara Resende. A declaração ocorre após a circulação de informações sobre uma possível conversa entre Lula e economistas que poderiam apresentar alternativas para lidar com as contas públicas.
Durigan disse que há especialistas dispostos a colaborar com o governo, em contato com Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas negou que exista um encontro previsto com Lara Resende. “Nenhuma dessas ideias como tabelamento de juros está na mesa do presidente”, afirmou o ministro.
A proposta atribuída a Lara Resende busca reduzir a taxa básica de juros, a Selic, por meio de mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária. O economista defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para estabelecer metas conjuntas em um período de quatro a cinco anos.
Pelo plano, o Banco Central manteria a Selic em uma faixa entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em cerca de 5,5%. A redução começaria gradualmente, ao longo de 12 meses, até 7,5%, com uma margem de segurança de dois pontos em relação ao crescimento potencial.
Lara Resende sustenta que os juros elevados, e não os gastos primários — que excluem o pagamento de juros da dívida —, são o principal problema fiscal do país. Na avaliação do economista, o custo da dívida cresce mais rapidamente do que a produção de riqueza, o que contribui para a trajetória de alta do endividamento.
A dívida bruta brasileira está em 82,9% do PIB, o maior patamar desde 2021. Uma estimativa citada no debate aponta que seria necessário um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos para equilibrar as contas. Lara Resende retomou sua argumentação em artigo publicado no fim de setembro.
O presidente do PT, Edinho Silva, pediu que as manifestações oficiais sobre a política econômica fiquem concentradas em Durigan. Ele afirmou que especulações sobre propostas em estudo podem gerar ruído e beneficiar agentes que apostam contra o governo. A ex-ministra Gleisi Hoffmann, por sua vez, compartilhou o artigo de Lara Resende nas redes sociais e o classificou como fundamental para enfrentar o que chamou de “ofensiva terrorista” sobre a política fiscal.
A discussão sobre a proposta provocou preocupação no mercado financeiro, segundo relatos sobre a reação de agentes. Lula já criticou a autonomia do Banco Central e cobrou publicamente juros menores do presidente da instituição, Gabriel Galípolo. A Selic está em 13,75% ao ano e permanece em dois dígitos desde 2022.
A definição dos rumos fiscais e da equipe econômica de um possível quarto mandato também entrou no debate. Aliados de Lula defendem antecipar a escolha dos nomes para dar sinais mais claros ao mercado; entre os cotados para a Fazenda está Rafael Fonteles, governador do Piauí. Durigan, porém, afirmou que não há encontro agendado entre Lula e Lara Resende.