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Domingo, 1 de novembro de 2026

Economia dos EUA divide eleitores antes das eleições de meio de mandato

A inflação nos EUA chegou a 3,7% em setembro, enquanto o PIB cresceu no terceiro trimestre; crédito caro e contratações lentas também pesam.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores caminham perto de um local de votação, com lojas ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores caminham perto de um local de votação, com lojas ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A economia americana chega às eleições de meio de mandato de 2026 com indicadores em direções diferentes. O PIB cresceu e o desemprego segue baixo, mas a inflação persistente, o custo elevado do crédito e a desaceleração das contratações alimentam a insatisfação. Os ganhos de patrimônio também se concentraram entre as famílias mais ricas.

A economia dos Estados Unidos será um dos temas centrais das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira, 3 de novembro. O presidente Donald Trump afirma que o país vive forte crescimento, mas a inflação, o ritmo de criação de empregos e o custo dos empréstimos alimentam a insatisfação de parte dos eleitores antes da votação, que renovará cargos no Congresso e em governos estaduais.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 3,7% em 12 meses até setembro, segundo o relatório mais recente citado pelo Departamento do Trabalho. Quando Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a taxa era de 3%. A inflação desacelerou até abril do ano passado, mas voltou a crescer depois que o presidente anunciou um amplo pacote de tarifas comerciais; neste ano, os preços também foram pressionados pela guerra contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro.

Trump disse em um evento de campanha em Ohio, no início de outubro, que o país “praticamente não tem inflação”. A evolução do CPI, porém, mostra que a tendência de queda dos preços foi revertida. Embora a alta ainda esteja abaixo dos picos registrados durante o governo de Joe Biden, quando a economia enfrentou os efeitos da pandemia de covid-19, alimentos caros e gasolina mais custosa pesam no orçamento das famílias.

A inflação mede a variação dos preços, não necessariamente uma redução dos valores já pagos pelos consumidores. Assim, mesmo quando a taxa diminui, os preços podem continuar subindo, apenas em ritmo menor. A alta dos custos, somada aos juros elevados, também encarece financiamentos para comprar casas e carros.

O Produto Interno Bruto (PIB), indicador que reúne o valor dos bens e serviços produzidos no país, cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, informou o Departamento de Comércio nesta semana. Nos três meses anteriores, a expansão havia sido de 2,2%. No conjunto do período sob Trump, o crescimento tem ficado pouco acima de 2% ao ano, abaixo do ritmo registrado durante o governo Biden.

Trump tem apresentado o avanço da economia como excepcional. “Temos um crescimento como nunca vimos antes — e teremos um crescimento como nunca vimos antes”, afirmou na semana passada em um comício no Arizona. Economistas, por outro lado, temem que os consumidores não estejam acompanhando a alta dos preços e recorram às economias para manter o padrão de vida. Uma pesquisa de confiança da Universidade de Michigan aponta que os americanos estão menos confiantes na economia do que durante a crise financeira de 2008 ou a pandemia, embora os Estados Unidos não estejam em recessão.

O mercado de trabalho combina desemprego baixo com contratações mais lentas. A taxa de desemprego está em 4,2%, nível que se manteve durante o governo Trump. No segundo mandato do presidente, os empregadores criaram, em média, quase 39 mil vagas por mês. No ano anterior ao retorno dele à Casa Branca, a média superava 121 mil.

O endurecimento das políticas de imigração reduziu o número de pessoas em busca de trabalho e é apontado como um dos fatores da desaceleração das contratações. A taxa de desemprego entre pessoas nascidas nos Estados Unidos permaneceu praticamente estável, um sinal de que trabalhadores americanos não vêm ocupando em grande número as vagas antes preenchidas por imigrantes. Economistas descrevem o cenário como de poucas contratações e poucas demissões.

O custo do crédito também subiu. O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos está acima de 5%, no maior patamar desde 2002. Esses títulos são referências para diversos juros de longo prazo: quando seus rendimentos aumentam, financiamentos podem ficar mais caros para consumidores, enquanto o governo paga mais para tomar empréstimos ou refinanciar a dívida pública.

No mercado acionário, o índice S&P 500 acumulava alta de cerca de 12% até quinta-feira, depois de subir aproximadamente 16,4% no ano passado. Em 2024, antes de Trump assumir, o avanço havia sido de 23,3%. A valorização das empresas de tecnologia ajudou a sustentar o índice, e o desempenho das ações depende de fatores que vão além das decisões presidenciais.

Os ganhos também foram distribuídos de forma desigual. Dados do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, indicam que o patrimônio dos 0,1% mais ricos aumentou US$ 5,5 trilhões em 18 meses, enquanto o da metade mais pobre cresceu US$ 380 bilhões. Em média, o patrimônio líquido de uma família entre as mais pobres aumentou US$ 5.600; entre as mais ricas, o avanço médio foi de US$ 40,8 milhões.

A eleição de meio de mandato ocorre no meio do período presidencial, dois anos depois da escolha do presidente. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso e outros cargos, e o resultado pode alterar o equilíbrio de poder legislativo durante a segunda metade do mandato. Na disputa de 2026, a avaliação da economia sob Trump chega às urnas em meio a sinais mistos: crescimento do PIB e desemprego baixo, mas inflação persistente, crédito caro e ganhos patrimoniais concentrados.

Fontes: Valor Econômico

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