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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Dívida externa de países em desenvolvimento bate recorde em 2025

O Banco Mundial calcula que o total chegou a US$ 9,4 trilhões, enquanto juros e amortizações somaram US$ 1,4 trilhão; o Brasil não é o foco do dado.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa diante de um mapa-múndi e de um prédio público ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa diante de um mapa-múndi e de um prédio público ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A dívida externa de países de renda baixa e média alcançou US$ 9,4 trilhões em 2025, alta de 5,5% e maior valor da série. Os pagamentos de juros e amortizações chegaram a US$ 1,4 trilhão. O Banco Mundial alerta que o custo do endividamento pode reduzir recursos para serviços e investimentos essenciais.

A dívida externa dos países de renda baixa e média chegou a US$ 9,4 trilhões em 2025, alta de 5,5% e o maior valor da série, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Mundial. O aumento foi o mais forte desde 2021 e ocorreu enquanto governos retomavam captações no mercado internacional, em muitos casos a custos elevados.

Os países desse grupo pagaram US$ 1,4 trilhão em juros e amortizações no ano passado, quinto aumento anual consecutivo. Só os pagamentos a credores privados cresceram 13,7%, para US$ 363 bilhões. Amortizações são a devolução do principal emprestado; juros correspondem ao custo do financiamento.

O acesso a recursos internacionais melhorou, mas os países mais pobres enfrentaram taxas altas. Em novos empréstimos de credores privados, a média dos juros foi de 8,2%, a maior desde 1989. Em novas emissões de títulos, chegou a 9,4%. Já países sem acesso a empréstimos de baixo custo ou sem juros da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês) pagaram, em média, 5,5% em novas emissões, abaixo dos 5,8% de 2024.

A captação privada por países em desenvolvimento e as emissões de títulos de entidades públicas somaram US$ 251 bilhões, quase 35% acima do período anterior e o maior volume em cinco anos. Entre os países elegíveis a recursos da IDA, a dívida externa subiu 8,1%, para US$ 1,3 trilhão.

Parte dos governos lançou novos títulos para recomprar dívidas que venceriam em breve. A estratégia alonga o prazo de pagamento, mas pode manter o saldo devedor praticamente igual e elevar os juros. Até meados de agosto, mais de dez países já tinham emitido títulos em volume superior ao total de 2025, e outros voltaram aos mercados internacionais, informou o Banco Mundial.

Entre 2022 e 2025, os países em desenvolvimento desembolsaram US$ 436 bilhões a mais em dívidas do que receberam em novos financiamentos. Em 2025, o fluxo mudou: houve entrada líquida de US$ 45 bilhões. A desvalorização do dólar também influenciou o resultado, pois elevou, quando convertidas para a moeda americana, as dívidas contraídas em outras moedas. O efeito respondeu por mais de 28% do aumento do endividamento.

Haishan Fu, estatística-chefe do Banco Mundial, afirmou que a retomada dos empréstimos privados é positiva, mas observou que os países estão tomando mais recursos e pagando mais caro. Segundo ela, em muitos casos sobra menos dinheiro para o desenvolvimento de longo prazo.

O relatório alerta que o peso de juros e amortizações pode reduzir recursos destinados a educação, infraestrutura, saúde e empregos, além de tornar os países mais vulneráveis a choques externos. Em economias muito endividadas, uma crise pode dificultar ainda mais o acesso da população a uma alimentação saudável.

O Banco Mundial também defendeu mais transparência nos acordos de dívida e melhorias nos dados sobre as obrigações dos governos. Novos credores, instrumentos, garantias e formas de financiamento podem dificultar a avaliação do total devido. A instituição apontou que a continuidade da captação torna importante acompanhar se os recursos obtidos chegam às pessoas e às áreas que mais precisam deles.

Para entender

Associação Internacional de Desenvolvimento
A IDA é uma instituição do Grupo Banco Mundial que oferece financiamento concessional a países de baixa renda. Seus recursos podem ter juros baixos ou nulos e condições mais favoráveis do que as normalmente disponíveis nos mercados privados.

Fontes: Valor Econômico, O Globo

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