Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Distúrbios na França ampliam pressão por controle da imigração

Lideranças de direita usam os protestos na França para defender fronteiras mais rígidas, mas Macron rejeita a ligação entre violência e imigração.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rua francesa com barreiras policiais e destroços após protestos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rua francesa com barreiras policiais e destroços após protestos.
Resumo em 30 segundos

A violência registrada em protestos na França levou dirigentes de direita de vários países europeus a defender controles migratórios mais rígidos. Macron contestou a associação entre imigração e os distúrbios, que atribuiu a grupos de extrema esquerda e criminosos. As autoridades francesas preparam um reforço de segurança para novas manifestações neste sábado (24).

A violência registrada durante protestos na França no sábado (17) ampliou a pressão de partidos de direita por restrições à imigração e controles de fronteira mais rígidos na Europa. Enquanto lideranças de vários países associaram os distúrbios à imigração, o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou essa interpretação e atribuiu os ataques à ação de grupos de extrema esquerda e criminosos.

Os atos começaram em setembro, com reivindicações de estudantes por melhorias na educação. No fim de semana passado, grupos violentos saquearam estabelecimentos, incendiaram veículos e atacaram policiais e prédios públicos em cidades como Paris, Lyon e Marselha. Até quinta-feira (22), cerca de 2,7 mil pessoas tinham sido detidas desde o fim de semana, segundo o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin. Mais de mil suspeitos foram levados à Justiça, e 217 foram presos depois de condenações em julgamentos acelerados.

Macron chamou de “estúpidas” as declarações de líderes estrangeiros que relacionaram a violência à imigração. A resposta foi dirigida também a comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que responsabilizou as políticas migratórias francesas pelos episódios e pediu o fechamento das fronteiras do país. O governo francês aponta a atuação de grupos de extrema esquerda e de criminosos que teriam aproveitado os protestos.

Dirigentes de direita, por sua vez, destacaram que alguns dos primeiros episódios de violência ocorreram em áreas periféricas de Paris com grande parcela de moradores de origem imigrante, como Saint-Denis. No departamento de Seine-Saint-Denis, imigrantes correspondiam a 31,6% da população em 2020 e 2021, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos da França (Insee). Outros 31,6% eram filhos de imigrantes nascidos no país. Esses números descrevem a composição da população local, mas, por si só, não estabelecem relação entre imigração e os atos violentos.

A discussão ocorre em meio ao aumento da população imigrante na França. Em 2025, o país tinha aproximadamente oito milhões de imigrantes, equivalentes a 11,6% da população; em 1999, eram 7,3%. Políticos de direita europeus usam os distúrbios como argumento para defender regras mais rígidas, associando a imigração também a dificuldades de integração e a tensões sobre valores culturais. Essas avaliações são contestadas por Macron e por representantes de esquerda.

No Reino Unido, Nigel Farage, líder do partido Reform UK, compartilhou imagens dos confrontos e disse que situações semelhantes poderiam ocorrer em outros países se não houver medidas mais duras. Ele defende impedir entradas irregulares pelo Canal da Mancha e facilitar a deportação de pessoas sem autorização para permanecer no país.

Na Alemanha, Alice Weidel, copresidente da Alternativa para a Alemanha (AfD), descreveu os episódios como um “sinal de alerta”. Em publicação no X, afirmou que a combinação de imigração em massa e extremismo de esquerda poderia levar a situações semelhantes a uma guerra civil. A dirigente defende mais deportações, controles de fronteira e redução da entrada de estrangeiros. Na Espanha, Santiago Abascal, do partido Vox, usou a violência em sua campanha para as eleições gerais de 29 de novembro e pediu o endurecimento da política migratória.

Na Itália, o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, líder da Liga, relacionou os confrontos franceses à imigração e ao radicalismo político. O país também teve episódios de violência em manifestações em Milão e Bolonha. A primeira-ministra, Giorgia Meloni, anunciou medidas para aumentar as punições a participantes de atos violentos e responsabilizar organizadores de grupos envolvidos nos tumultos.

A pressão chegou ao Parlamento Europeu, onde o italiano Nicola Procaccini, copresidente dos Conservadores e Reformistas Europeus, defendeu novos instrumentos migratórios. Em debate de emergência, na segunda-feira (19), o francês Jean-Paul Garraud, do Reagrupamento Nacional (RN), acusou grupos de extrema esquerda de participar da violência e anunciou que pediria uma avaliação sobre a inclusão de organizações violentas na lista europeia de grupos terroristas. Representantes da esquerda defenderam o direito de manifestação e acusaram a direita de explorar politicamente a insatisfação social.

Na França, Marine Le Pen também vinculou a crise de segurança à imigração e afirmou, em entrevista à rádio Franceinfo, que o governo perdeu a capacidade de administrar o país. O RN pretende propor um referendo sobre mudanças nas regras migratórias caso Le Pen vença a eleição presidencial de 2027. Entre as questões previstas estão o fim da cidadania automática por nascimento para filhos de imigrantes, a expulsão de estrangeiros condenados e a prioridade de cidadãos franceses em determinados benefícios sociais.

A União Europeia já aplica mudanças migratórias. O novo Pacto de Migração e Asilo entrou em vigor em junho e prevê mais identificação e verificações de segurança nas fronteiras externas, além de procedimentos acelerados para certos pedidos de proteção. O bloco também aprovou regras para facilitar o retorno de pessoas sem autorização de permanência. No segundo trimestre deste ano, países da UE emitiram 110.335 ordens de saída para cidadãos de fora do bloco e registraram 36.825 retornos. A França expediu 32.420 ordens e contabilizou 3.825 retornos.

Macron anunciou nesta quinta-feira (22) novas restrições a manifestações consideradas ilegítimas, enquanto as autoridades preparam reforço de segurança para os atos convocados para sábado (24). Protestos organizados por sindicatos poderão ocorrer com medidas de segurança. O ministro do Interior, Laurent Núñez, informou que cerca de 70 mil agentes serão mobilizados no país neste fim de semana. A previsão de manifestações levou ainda autoridades locais a solicitar mudanças em partidas de futebol programadas para sábado.

Fontes: Gazeta do Povo, O Globo, Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também