Trump culpa imigração por protestos na França e pede fechar fronteiras
Os protestos na França contra o custo de vida reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas no sábado; mais de 1.800 foram presas, segundo o governo.
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Donald Trump afirmou que a imigração destruiu a França e pediu o fechamento das fronteiras após protestos contra o custo de vida. As manifestações de sábado reuniram, segundo estimativas diferentes, entre 550 mil e 800 mil pessoas. Houve confrontos, saques e danos a prédios e lojas, além de mais de 1.800 prisões, informou o governo francês.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que a França está “em chamas” e “destroçada” pela imigração, após protestos contra o custo de vida reunirem centenas de milhares de pessoas no país no sábado. Em publicação na rede Truth Social, ele pediu que o governo francês feche as fronteiras e retome o controle migratório.
“A França está em chamas! A imigração de pessoas de um mundo completamente diferente, pessoas com ódio no coração, destruiu esse país que já foi grandioso”, escreveu Trump. Em seguida, acrescentou: “Fechem as fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!”
As manifestações ocorreram em várias cidades e combinaram marchas, em grande parte pacíficas, com confrontos, saques e ataques a prédios públicos e estabelecimentos comerciais. O Ministério do Interior informou que mais de 1.800 pessoas foram presas e que mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
A dimensão da mobilização é disputada: as autoridades contabilizaram 550 mil participantes, enquanto a Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical francesa, estimou 800 mil. Em Paris, a polícia registrou cerca de 110 mil manifestantes e 855 detenções. Um homem morreu de ataque cardíaco durante a marcha na capital, segundo a polícia parisiense; mais de 500 pessoas permaneciam presas neste domingo, entre elas 171 menores de idade.
A pauta principal foi o custo de vida, pressionado, segundo os organizadores, também pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços. O ato, convocado sob o lema “Amarelos e Jovens”, buscava aproximar a insatisfação econômica dos protestos estudantis iniciados em setembro por melhores condições nas escolas. A mobilização foi impulsionada pelo movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou força há oito anos contra o aumento de um imposto sobre combustíveis.
Os protestos também reuniram agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. Nos últimos dias, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou recursos para o setor agrícola em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar reduzir os preços e medidas de apoio a cidades rurais. Os sindicatos, porém, cobram novas respostas.
Em Paris, vitrines de lojas de luxo foram quebradas, fachadas receberam pichações e equipes de limpeza recolheram escombros. Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, disse que cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas no país e calculou prejuízos de várias centenas de milhões de euros.
A prefeitura de Limoges, cidade do centro-oeste conhecida pela produção de porcelana, ficou em grande parte destruída por um incêndio durante a madrugada. Em Marselha, pessoas mascaradas invadiram a sede do governo local e derrubaram um busto de Marianne, símbolo da República Francesa. Em Lyon, um escritório de turismo foi consumido pelas chamas.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que os danos materiais eram consideráveis e atribuiu os episódios de violência a manifestantes de extrema esquerda e a criminosos que saquearam e vandalizaram prédios. O primeiro-ministro também responsabilizou a França Insubmissa (LFI), partido de esquerda radical, e disse que informações de inteligência apontavam que os primeiros agressores eram da “ultraesquerda”.
A versão das autoridades é contestada por líderes sindicais e manifestantes, que relataram agressões policiais. Durante os atos, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água; em Paris, agentes da tropa de choque avançaram contra um grupo e atingiram pessoas com cassetetes, segundo relatos registrados no local.
O líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, apoiou as mobilizações, mas condenou os saques. Ele afirmou que Lecornu era “responsável pelo caos”, por “incompetência ou por uma estratégia do pior”. A líder da extrema direita, Marine Le Pen, também atribuiu a violência à “ultraesquerda”. Em sentido oposto, a vice-prefeita socialista de Paris acusou o partido de Le Pen, a Reunião Nacional, de alimentar as tensões para favorecer sua candidatura presidencial.
A sequência de atos aumenta a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que deve fazer um pronunciamento à nação às 20h no horário local (15h em Brasília). Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com Lecornu nos próximos dias. A crise ocorre a seis meses da eleição presidencial e enquanto o governo busca aprovar no Parlamento o orçamento de 2027, que prevê ajuste fiscal de € 54 bilhões.