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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Desemprego cai a 5,2% e ocupação bate recorde no terceiro trimestre

A Pnad Contínua aponta 5,6 milhões de pessoas desocupadas, enquanto economista prevê desaceleração gradual do mercado de trabalho em 2027.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoas aguardam atendimento em um centro de emprego. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoas aguardam atendimento em um centro de emprego.
Resumo em 30 segundos

A taxa de desemprego ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor nível para o período desde o início da série, em 2012. A população ocupada chegou a 103,6 milhões, recorde, mas cresceu 1,2% em um ano. Economista prevê aumento gradual do desemprego em 2027.

A taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, no menor nível já registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram também que a população ocupada chegou ao maior contingente da série, mas o crescimento do emprego perdeu ritmo, segundo avaliação de Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A taxa ficou abaixo dos 5,4% do segundo trimestre e dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025. No trimestre encerrado em setembro, havia 5,6 milhões de pessoas desocupadas, 234 mil a menos que no trimestre anterior, queda de 4%. Na comparação anual, a redução foi de 417 mil pessoas, ou 6,9%.

A população ocupada somou 103,6 milhões de pessoas, com alta de 0,6% frente ao segundo trimestre, equivalente a 581 mil trabalhadores. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o avanço foi de 1,2%, ou 1,2 milhão de pessoas. Para Barbosa Filho, porém, esse crescimento indica desaceleração: a expansão da ocupação, que superava 2,5% dois anos antes, está agora em 1,2%.

O economista prevê que o desemprego aumente gradualmente ao longo de 2027, mas não espera que a taxa volte a dois dígitos. Ele afirma que o índice ajustado para efeitos sazonais já está muito baixo, o que reduz a possibilidade de novas mínimas. “Não vejo indicação de que a taxa vá bater um novo recorde. Ela já está em um patamar extremamente baixo. O que esperamos é uma reversão gradual nos próximos meses”, disse.

Entre os fatores que podem enfraquecer o mercado de trabalho estão o menor crescimento econômico esperado, os juros ainda elevados e a reversão do impulso fiscal observado neste ano. A expansão dos gastos públicos ajudou a sustentar a atividade, mas, segundo Barbosa Filho, deve perder força em 2027. Ele também relaciona esse impulso à inflação resistente e ao baixo desemprego.

O pesquisador avalia que a incerteza sobre a condução das contas públicas pode influenciar as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros. Na avaliação dele, a autoridade monetária pode reduzir o ritmo de cortes ou interromper o ciclo de queda caso persistam dúvidas sobre o compromisso do governo com um ajuste fiscal.

A Pnad Contínua acompanha o mercado de trabalho por meio de pesquisas domiciliares e divulga resultados para períodos móveis de três meses. A taxa de desocupação considera pessoas sem trabalho que estavam disponíveis e procuraram emprego; por isso, o indicador deve ser analisado junto com a população ocupada e o ritmo de criação de vagas.

Fontes: Estadão, Valor Econômico

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