Pular para o conteúdo
Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Trabalho doméstico não remunerado pode somar R$ 284 bilhões ao PIB

Estudo estima que a entrada de 13 milhões de mulheres na força de trabalho elevaria a economia em 2,2%, já descontada a redução de benefícios do Bolsa Família.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher cuida de uma criança e organiza tarefas domésticas enquanto materiais de trabalho ficam sobre a mesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher cuida de uma criança e organiza tarefas domésticas enquanto materiais de trabalho ficam sobre a mesa.
Resumo em 30 segundos

Estudo de pesquisadoras da FGV estima que a entrada no mercado de trabalho de 13 milhões de mulheres impedidas de buscar emprego por tarefas domésticas e de cuidado poderia acrescentar R$ 284 bilhões à economia. O cálculo usa dados de 2025 e considera renda potencial, escolaridade e a redução de benefícios do Bolsa Família.

A entrada no mercado de trabalho de 13 milhões de mulheres que hoje ficam fora da força de trabalho por causa dos afazeres domésticos e dos cuidados poderia acrescentar R$ 284 bilhões à economia brasileira, o equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo de pesquisadoras da Fundação Getulio Vargas (FGV). A estimativa considera dados de 2025 e desconta valores que parte delas deixaria de receber do Bolsa Família.

O grupo analisado reúne mulheres que não trabalham nem procuram emprego porque precisam cuidar da casa, dos filhos ou de familiares. Elas representam uma parcela das 42,8 milhões de mulheres fora da força de trabalho no país. A pesquisa estima o rendimento potencial com base na escolaridade média dessas mulheres e nos ganhos de trabalhadoras com nível de instrução equivalente.

O cálculo parte de uma renda bruta potencial de R$ 320,3 bilhões em 2025 e subtrai R$ 36 bilhões em benefícios do Bolsa Família que deixariam de ser pagos, sob a hipótese de que a obtenção de emprego substituiria o auxílio. O resultado líquido estimado é de R$ 284 bilhões. A simulação considera a entrada no mercado de mulheres com menos de 65 anos e não significa que todas as 13 milhões conseguiriam emprego imediatamente.

As pesquisadoras Isabela Duarte Kelly e Hildete Pereira de Melo afirmam que o objetivo do levantamento é dimensionar o impacto econômico do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Embora não recebam salário por essas tarefas, as mulheres do grupo dedicam, em média, 32 horas por semana ao cuidado e à manutenção da casa. Esse trabalho sustenta o cotidiano das famílias, mas pode impedir que as responsáveis busquem uma ocupação remunerada.

A maioria das mulheres analisadas concluiu o ensino médio. Em 2025, trabalhadoras com essa escolaridade recebiam, em média, R$ 2.162 por mês, valor usado como referência para estimar o potencial de renda. As autoras ponderam que a escolaridade não é o único fator que define salários, mas consideram a comparação útil para calcular a dimensão econômica da exclusão do mercado.

Para ampliar a participação feminina, o estudo aponta a necessidade de serviços que dividam as responsabilidades de cuidado. Entre as medidas citadas estão a oferta de creches e escolas em tempo integral para crianças e de centros-dia para idosos, onde eles podem receber cuidados durante o dia. Sem esse tipo de estrutura, muitas mulheres têm dificuldade para conciliar as tarefas familiares com um emprego.

A participação das mulheres na força de trabalho pouco mudou ao longo de quase 15 anos, segundo os dados analisados. Em 2012, primeiro ano da série, era de 52%; em 2025, chegou a 53%. No mesmo ano, 72% dos homens estavam na força de trabalho. Apenas 740 mil homens apontaram os afazeres domésticos e de cuidado como principal razão para permanecer fora dela, ante 13 milhões de mulheres.

As desigualdades também aparecem entre grupos raciais e regiões. Mulheres pretas e pardas são maioria entre as 13 milhões que permanecem fora do mercado principalmente por causa das tarefas domésticas e de cuidado. Em 2025, a participação feminina na força de trabalho era de 48% no Norte e de 45% no Nordeste, abaixo dos índices observados nas demais regiões.

A força de trabalho inclui pessoas ocupadas e aquelas que estão sem emprego, mas procuram uma vaga; quem não trabalha nem busca trabalho é classificado fora dela. Assim, a categoria não significa que essas mulheres estejam inativas ou sem realizar trabalho: elas exercem atividades domésticas e de cuidado sem remuneração, mas não são contabilizadas como ocupadas nas estatísticas do mercado.

Kelly afirma que transferências de renda, como o Bolsa Família, são necessárias para mulheres sem condições de ingressar no mercado, mas não substituem políticas que ampliem o acesso a empregos. A pesquisadora também relaciona a possibilidade de trabalho remunerado à autonomia financeira das mulheres. Para as autoras, reconhecer o peso do cuidado não pago é uma questão social e de igualdade de gênero, mas também econômica, pelos efeitos potenciais sobre a renda familiar e a Previdência Social.

Para entender

Força de trabalho
Nas estatísticas do mercado de trabalho, inclui pessoas ocupadas e pessoas sem emprego que procuram uma vaga. Quem não trabalha nem busca emprego fica fora dessa categoria, mesmo que realize atividades domésticas e de cuidado sem remuneração.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também