Vínculos públicos de advogados crescem 80% no Brasil desde 2019
Em 2025, 56.918 advogados tinham emprego formal em órgãos públicos; no Piauí, esses vínculos representam 85% dos empregos formais da categoria.
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O número de advogados com vínculo formal em órgãos públicos passou de 31.551, em 2019, para 56.918, em 2025, alta de 80%. No setor privado, o crescimento foi de 26%. Os registros não incluem sócios e associados de escritórios, e a mudança na coleta de dados em 2023 exige cautela.
O número de advogados com vínculo formal em órgãos públicos cresceu 80% no Brasil entre 2019 e 2025, passando de 31.551 para 56.918. No mesmo período, o emprego formal no setor privado para profissionais da área avançou 26%, segundo dados de registros trabalhistas e bases públicas.
A conta reúne vínculos em órgãos dos três Poderes, no Ministério Público e em instituições da Justiça. Empresas estatais, como bancos públicos, Petrobras e companhias de saneamento, foram classificadas como empregadoras privadas no levantamento.
Os registros formais representam uma parcela pequena da advocacia brasileira: equivalem a cerca de 9% dos 1,51 milhão de profissionais com inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A estatística não inclui sócios de escritórios nem advogados associados, que podem trabalhar por meio de sociedades em vez de receber salário com carteira assinada.
Mario Engler, professor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV) e procurador do Estado de São Paulo aposentado, afirma que o emprego com carteira é pouco comum na advocacia privada. Segundo ele, essa modalidade se concentra em empresas e grandes escritórios, enquanto há outras formas de contratação com menor custo.
Engler atribui parte da expansão no setor público ao aumento da estrutura estatal. Desde a Constituição de 1988, afirma, órgãos foram criados ou fortalecidos e passaram a demandar mais profissionais. Advogados públicos representam União, estados e municípios em processos, cobram dívidas, analisam licitações e contratos e avaliam a legalidade de atos de gestores.
A presença do setor público entre os advogados formalmente empregados é mais alta em estados fora do eixo Sul-Sudeste. No Piauí, 85% dos vínculos formais da categoria são públicos; Roraima, Amapá, Rondônia, Tocantins e Maranhão também registram participação de pelo menos 77%.
No Paraná, 60,8% dos advogados com emprego formal trabalham para órgãos públicos. No Rio Grande do Sul, a proporção é de 52,9%. São Paulo aparece no sentido oposto: apesar de concentrar 28,5% dos vínculos formais do país, apenas 14,1% deles estão no setor público. No Rio de Janeiro, a parcela pública é de 22,5%.
Os dados foram compilados a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Receita Federal, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, a migração no preenchimento da Rais para o eSocial pode ter levado ao registro de contratos antigos como novos, o que exige cautela na comparação daquele ano.