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Sábado, 31 de outubro de 2026

Departamento de Justiça amplia investigação sobre disputa no Alasca

A apuração envolve a suspeita de que democratas recrutaram Daniel J. Sullivan Jr. para concorrer contra o senador republicano Dan S. Sullivan.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urna e cédulas sem identificação em um local de votação numa vila costeira do Alasca. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urna e cédulas sem identificação em um local de votação numa vila costeira do Alasca.
Resumo em 30 segundos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos reforçou a investigação sobre a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., que tem nome semelhante ao do senador republicano Dan S. Sullivan. O órgão busca apurar se democratas ajudaram a lançá-lo para influenciar a disputa no Alasca. A eleição está marcada para terça-feira, 3 de novembro.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos intensificou as investigações sobre a suspeita de que democratas recrutaram um candidato com nome semelhante ao de um rival republicano para influenciar a disputa pelo Senado no Alasca. A apuração criminal e civil ocorre antes das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3), e envolve a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado, contra o senador republicano Dan S. Sullivan.

O procurador federal no Alasca, Michael Heyman, disse nesta sexta-feira (30) que a investigação está avançando rapidamente e que designou vários promotores para o caso. Segundo ele, uma reportagem publicada na quarta-feira sobre o suposto recrutamento levou a um aumento dos recursos do FBI destinados à apuração.

“Todos os cidadãos do Alasca merecem uma eleição justa, e é isso que terão”, afirmou Heyman em entrevista coletiva. Ele não especificou quais crimes estão sob investigação e disse que permitirá que o trabalho dos investigadores prossiga. O procurador acrescentou que quem tentar enganar eleitores ou interferir ilegalmente na votação poderá responder por seus atos.

A suspeita é que integrantes da campanha da democrata Mary Peltola e do braço eleitoral do Partido Democrata para o Senado tenham ajudado a convencer Daniel J. Sullivan Jr. a concorrer. Peltola negou saber de qualquer iniciativa para lançar o candidato, e o comitê democrata também rejeitou envolvimento. Sullivan Jr., que vive em uma vila de pescadores remota, afirmou que não coordenou sua candidatura com a campanha da democrata.

O Departamento de Justiça pediu a um juiz federal que determine a preservação de cédulas que possam ter sido afetadas por confusão entre os nomes dos candidatos. Também solicitou documentos da campanha democrata e de outras fontes para avaliar se a candidatura de Sullivan Jr. é “frívola ou fraudulenta”. O departamento entrou ainda com uma ação para impedir que o Alasca certifique o resultado da disputa caso Dan S. Sullivan perca e a presença do candidato homônimo tenha influenciado a votação.

O presidente Donald Trump pediu que Peltola seja processada e chamou o caso de “fraude eleitoral no mais alto nível” durante um comício na Flórida, na sexta-feira. Na semana anterior, quando o Departamento de Justiça ajuizou uma ação civil contra o Alasca, Trump disse a repórteres: “Fui eu quem disse para fazer isso”.

Não está claro se alguma lei foi violada. A chamada acumulação de votos — estratégia em que um partido apoia candidatos menos conhecidos para tentar retirar votos de um adversário — é praticada por ambos os partidos nos Estados Unidos. A investigação busca determinar se houve uma ação ilegal ou se a candidatura foi uma iniciativa legítima.

A disputa é considerada importante para a composição do Senado, atualmente controlado pelos republicanos por uma margem estreita. Uma mudança no controle de uma ou das duas casas do Congresso poderia ampliar a capacidade dos democratas de investigar o governo Trump e pressionar o presidente sobre a guerra contra o Irã.

O caso no Alasca ocorre em meio a outras ações federais relacionadas às eleições. O Departamento de Justiça também tenta obter listas eleitorais de cerca de 30 estados e conduz uma investigação na Califórnia sobre supostos votos de não cidadãos. Na sexta-feira, um tribunal federal de apelação rejeitou, pela segunda vez naquela semana, o pedido do governo para impedir que a Califórnia contasse votos pelo correio de mais de 20 mil eleitores registrados que, segundo o Departamento de Justiça, provavelmente não são cidadãos.

Um juiz de primeira instância havia negado a solicitação, argumentando que a medida poderia retirar o direito de voto de milhares de eleitores legítimos. As autoridades eleitorais de diferentes estados afirmaram que se preparam para novas iniciativas federais. Jonathan Diaz, do Campaign Legal Center, organização apartidária, disse que a sequência de ações judiciais pode criar incerteza e preparar o terreno para contestar os resultados depois da votação.

Apesar das disputas judiciais, 49 milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente, um recorde para uma eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, segundo a Universidade da Flórida. As eleições de terça-feira definirão a composição do Congresso e podem determinar o equilíbrio de poder entre republicanos e democratas durante o restante do mandato presidencial.

Para entender

Acumulação de votos
Estratégia eleitoral em que um partido apoia ou incentiva a candidatura de alguém com poucas chances de vencer, na tentativa de dividir os votos de um adversário. A prática pode ser legal; a investigação no Alasca busca apurar se houve alguma ação ilegal no caso.

Fontes: Folha de S.Paulo

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