Democratas pedem a Marco Rubio detalhes sobre viagem de Flávio
Os 25 parlamentares querem saber se autoridades dos EUA ajudaram o senador a deixar o Brasil, obter vistos e entrar no país; pedem resposta até 13 de novembro.
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Uma carta enviada a Marco Rubio por 25 deputados democratas questiona se o governo dos Estados Unidos participou da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e de sua entrada no país. Os parlamentares perguntam sobre vistos, contatos oficiais e a logística da viagem, e pedem respostas por escrito e uma reunião até 13 de novembro.
Vinte e cinco deputados democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na quinta-feira (29), pedindo esclarecimentos sobre eventual participação do governo Donald Trump na saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil e em sua entrada nos Estados Unidos. O documento questiona se autoridades americanas ajudaram o parlamentar, que deixou o país após a derrota na eleição presidencial, apesar de uma ordem judicial que restringia suas viagens internacionais.
A iniciativa foi liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. Os congressistas querem saber quem autorizou a emissão dos vistos para Flávio e familiares, quando eles foram concedidos e se o governo americano conhecia a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os passaportes do senador.
A carta também pergunta se Washington verificou se Flávio tinha autorização para deixar o Brasil e se reconsiderou os vistos após tomar conhecimento da restrição. Os parlamentares cobram informações sobre possíveis contatos de funcionários do Departamento de Estado, da Casa Branca ou de outras agências com o senador, seus familiares, assessores, advogados ou intermediários envolvidos na viagem.
Entre os pontos levantados estão a eventual participação de autoridades americanas na organização dos voos e dos deslocamentos pela Argentina e pelo Equador, além de contatos com órgãos de imigração dos Estados Unidos. Os deputados também questionam se o governo brasileiro pediu informações sobre a localização do senador e como Washington respondeu. A carta solicita respostas por escrito e uma reunião com representantes do Departamento de Estado até 13 de novembro.
No documento, os parlamentares afirmam que o Congresso e o público americano têm interesse em saber se recursos diplomáticos e migratórios foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira. Eles dizem que a transparência é importante diante das relações entre os dois países e do processo judicial brasileiro mencionado na carta.
Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), dois dias depois de perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro do STF Alexandre de Moraes havia determinado que o senador entregasse o passaporte; após o descumprimento do prazo, a Polícia Federal cancelou o documento no sistema de controle. Registros migratórios argentinos apontam que Flávio entrou no país com passaporte italiano.
Já nos Estados Unidos, o senador publicou na quarta-feira uma carta em que se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, alterou o texto e divulgou outras versões, nas quais passou a se apresentar como “o líder do Brasil”. Uma informação publicada sobre a logística da viagem atribuiu ao assessor de comunicação da Casa Branca Jason Miller a organização de um jato particular que levou Flávio da Argentina a Miami, com parada no Equador.