Democratas dos EUA criticam entrada de Flávio Bolsonaro no país
Parlamentares dizem que o tratamento dado ao senador contrasta com restrições a pedidos de asilo e à proteção migratória para haitianos.
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Deputados democratas criticaram a autorização para Flávio Bolsonaro entrar nos Estados Unidos e usaram o caso para contestar a política migratória de Donald Trump. As declarações ocorrem antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Parlamentares citaram restrições a pedidos de asilo e o fim do TPS para haitianos.
Deputados democratas dos Estados Unidos criticaram a autorização para Flávio Bolsonaro entrar no país e usaram o caso para questionar a política migratória do presidente Donald Trump. As declarações foram feitas às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira, 3 de novembro, quando os democratas tentam retomar o controle do Congresso.
A bancada democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, estaria recebendo Bolsonaro de forma privilegiada, enquanto pessoas que fogem de conflitos no Sudão e no Haiti não conseguem asilo. “Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados das eleições, sim”, escreveu o grupo na rede social X.
A deputada Sara Jacobs, da Califórnia, também criticou o tratamento dado ao senador brasileiro. Ela afirmou que a política migratória de Trump tem uma exceção para aliados políticos e citou a revogação, em julho, do Status de Proteção Temporária (TPS) para haitianos. A medida deixou mais de 300 mil pessoas sem autorização de trabalho e proteção contra deportação, segundo a publicação da parlamentar.
O TPS é uma proteção temporária concedida a cidadãos de países afetados por conflitos ou outras condições que impeçam o retorno seguro. A deputada Sydney Kamlager-Dove, também da Califórnia e copresidente do Brazil Caucus, disse que imigrantes sem antecedentes criminais são alvo de agentes migratórios, enquanto aliados influentes de Trump são recebidos nos Estados Unidos.
Kamlager-Dove chamou Flávio de filho de um “aspirante a ditador” e afirmou que o senador nega o resultado eleitoral e enfrenta um processo criminal. O deputado Malcolm Kenyatta, da Pensilvânia, questionou se pessoas que contestam eleições recebem asilo, enquanto mães com filhos que fogem da violência têm seus pedidos negados.
No ano fiscal de 2026, até junho, cerca de um em cada quatro pedidos de asilo nos Estados Unidos foi rejeitado. Havia 1,4 milhão de solicitações pendentes. O governo Trump estabeleceu inicialmente em 7.500 o limite de admissão de refugiados para o período, o menor desde a criação do programa, em 1980, e abaixo das 125 mil vagas autorizadas no ano anterior, durante o governo de Joe Biden.
Depois, Trump elevou o limite para 17.500 vagas para receber sul-africanos brancos, conhecidos como africâneres. O governo americano justificou a decisão alegando haver “discriminação patrocinada” pelas autoridades da África do Sul contra esse grupo e outras minorias. As críticas democratas ao caso de Flávio ocorrem em meio ao debate sobre essas prioridades migratórias e à disputa pelo Congresso nas eleições de novembro.