Democratas dos EUA criticam chegada de Flávio Bolsonaro
Deputados e senadores questionam o papel de Marco Rubio na viagem e cobram explicações do governo Trump sobre a saída do senador do Brasil.
Resumo em 30 segundos
Parlamentares democratas dos Estados Unidos criticaram a chegada de Flávio Bolsonaro ao país e questionaram a atuação do secretário de Estado, Marco Rubio. As declarações relacionam a viagem às investigações que envolvem o senador no Brasil e às políticas migratórias do governo Trump. Flávio viajou com a mulher e as duas filhas.
Parlamentares democratas dos Estados Unidos criticaram nesta quarta-feira a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao país e questionaram o papel do secretário de Estado, Marco Rubio, na viagem. As manifestações foram publicadas nas redes sociais e relacionaram o caso às investigações envolvendo o senador e às políticas migratórias do governo de Donald Trump.
O deputado Jim McGovern, de Massachusetts, chamou Flávio de “um estrangeiro sob investigação criminal” e acusou Rubio de conspirar com o brasileiro para ajudá-lo a escapar da Justiça. Joaquin Castro, do Texas, afirmou que perder uma eleição não é motivo para receber asilo e cobrou explicações do governo Trump ao Congresso sobre eventual participação na saída do senador do Brasil.
Outros democratas também criticaram o que consideram tratamento favorável a Flávio. Morgan McGarvey, do Kentucky, escreveu que a administração Trump diz não querer criminosos no país, “a menos que sejam tão corruptos quanto ele”. Shri Thanedar, do Michigan, afirmou que o senador deveria enfrentar acusações de fraude e corrupção no Brasil, em vez de deixar o país.
O senador Andy Kim, de Nova Jersey, comparou a situação às restrições impostas a refugiados e imigrantes. Ele disse que Trump estaria concedendo a Flávio uma proteção semelhante ao Status de Proteção Temporária, ao mesmo tempo que retira essa condição de haitianos, afegãos e outros grupos. A bancada democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara também acusou Rubio de estender um “tapete vermelho” ao brasileiro.
A viagem ocorre enquanto Flávio é alvo de investigações no Brasil. Uma delas trata de suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a vínculos com o empresário Willer Tomaz; outra apura o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador não foi condenado nos casos citados.
A saída do Brasil também provocou questionamentos sobre o cumprimento de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse os passaportes e permanecesse no país. A ordem foi mencionada no contexto de uma investigação sobre lavagem de dinheiro. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que o senador cruzou por terra a fronteira brasileira na noite de terça-feira, acompanhado da mulher e das duas filhas; depois, a família embarcou em um voo particular para Guayaquil, no Equador.
Segundo uma autoridade do governo americano, o Departamento de Estado emitiu vistos para Flávio, a mulher e as duas filhas. A viagem e as críticas dos parlamentares democratas ocorrem às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira. Os democratas esperam avançar nas duas casas do Congresso, e as declarações dos parlamentares associam o caso à disputa política com Trump e à atuação de Rubio.
Para entender
- Status de Proteção Temporária
- O Temporary Protected Status (TPS) é uma forma de proteção migratória dos Estados Unidos para cidadãos de países designados que não podem retornar com segurança por causa de conflitos armados, desastres naturais ou outras condições excepcionais. A comparação feita por Andy Kim é política; o texto não afirma que Flávio recebeu esse status.