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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Ida de Flávio Bolsonaro aos EUA pode ampliar tensão diplomática

O cientista político Octavio Amorim Neto afirma que a aproximação com Marco Rubio pode dificultar negociações entre Brasília e Washington.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos diante de um prédio governamental. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos diante de um prédio governamental.
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Para Octavio Amorim Neto, a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sua aproximação com o secretário de Estado Marco Rubio podem aumentar a tensão diplomática entre os países. O professor também avalia que a viagem pode dificultar a atuação política do senador no campo bolsonarista e prevê uma disputa interna por liderança.

O cientista político Octavio Amorim Neto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos pode ampliar a tensão diplomática entre Brasília e Washington. Para o especialista, a aproximação do parlamentar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, integra um quadro de interferência do governo de Donald Trump na política brasileira.

Amorim Neto afirma que o episódio dá continuidade a ações iniciadas, segundo ele, em julho de 2025, com a imposição de tarifas comerciais ao Brasil. Na avaliação do professor, a atuação de Flávio junto a autoridades americanas pode dificultar, no curto prazo, tentativas do governo brasileiro de negociar com os Estados Unidos.

O analista relaciona a política de Rubio para a América do Sul a uma tentativa de ampliar a influência americana na região, com apoio a políticos e partidos de direita. Ele cita o presidente argentino Javier Milei como aliado importante do secretário de Estado na América Latina. Essas avaliações são de Amorim Neto.

O professor também aponta que as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, podem afetar o cenário. Caso os democratas conquistem a maioria no Congresso, diz ele, Trump ainda manteria o controle da política externa, o que poderia tornar as negociações brasileiras mais difíceis.

Na leitura de Amorim Neto, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial representou uma derrota para a estratégia atribuída a Rubio na região. Ainda assim, a aproximação entre Flávio e integrantes do governo Trump, segundo o professor, sinalizaria a continuidade dessa orientação e poderia levar a um distanciamento maior entre Brasil e Estados Unidos.

A mudança para o exterior também pode dificultar a atuação política de Flávio no campo bolsonarista, afirma o especialista. Embora a comunicação possa ocorrer à distância, campanhas e articulações políticas dependem frequentemente de presença em eventos e contato direto com aliados. Amorim Neto avalia ainda que o senador não era considerado o principal nome para liderar a extrema-direita e prevê disputa interna pelo comando desse grupo, sem apontar quem poderá prevalecer.

As midterms são eleições realizadas nos Estados Unidos na metade do mandato presidencial, quando são renovadas cadeiras do Congresso. O resultado pode alterar o equilíbrio entre governo e parlamentares, mas não transfere ao Congresso o comando da política externa, que é conduzida pelo presidente e pelo Executivo americano.

Fontes: Valor Econômico, Estadão, Zero Hora

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