Democratas conquistam maiorias nas duas casas do Congresso dos EUA
Nas eleições de meio de mandato de 2026, candidatos apoiados por grandes empresários de tecnologia perderam disputas importantes, apesar dos milhões investidos.
Resumo em 30 segundos
Os democratas conquistaram maiorias nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Candidatos republicanos apoiados por empresários de tecnologia foram derrotados, incluindo Ken Paxton, no Texas. Eleitores também aprovaram moratórias à construção de centros de dados de inteligência artificial.
Os democratas conquistaram maiorias amplas nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), derrotando candidatos republicanos que receberam grandes doações de empresários de tecnologia. No Texas, Ken Paxton perdeu a disputa para o Senado para o democrata James Talarico, apesar de ter sido um dos principais beneficiários dos recursos de Elon Musk.
Musk destinou mais de US$ 470 milhões a candidatos republicanos em disputas para a Câmara e o Senado. Quase metade desse valor foi direcionada à campanha de Paxton, que enfrentava uma série de escândalos, segundo o relato da campanha. O empresário também apoiou outros candidatos que acabaram derrotados.
A eleição foi descrita como a mais cara da história dos Estados Unidos. Além de Musk, os investidores Marc Andreessen e Ben Horowitz gastaram mais de US$ 90 milhões. Cameron e Tyler Winklevoss, fundadores da plataforma de criptomoedas Gemini, contribuíram com mais de US$ 5 milhões.
Greg Brockman, cofundador da OpenAI, e sua mulher, Anna, doaram US$ 25 milhões ao Maga Inc. e outros US$ 25 milhões ao Leading the Future, comitê de ação política que apoiou principalmente candidatos escolhidos por Donald Trump. Andreessen e Horowitz também deram US$ 50 milhões ao grupo.
Os recursos não impediram derrotas em disputas consideradas importantes para os setores de tecnologia e criptomoedas. O supercomitê Fairshake, que apoia candidatos favoráveis às criptomoedas, gastou mais de US$ 50 milhões em anúncios contra o democrata Sherrod Brown, crítico desses setores, mas não conseguiu evitar seu retorno ao Senado.
Na Carolina do Sul, a republicana Darline Graham perdeu uma disputa que deu aos democratas uma cadeira no Senado no estado pela primeira vez em décadas. A candidata havia recebido US$ 2,5 milhões do Leading the Future.
A oposição à expansão da inteligência artificial também apareceu nas urnas. Uma pesquisa de boca de urna da NBC apontou que a maioria dos eleitores considerou os centros de dados de inteligência artificial um fator importante ou crucial na escolha do voto. Em várias partes do país, eleitores aprovaram dezenas de moratórias à construção dessas instalações, que abrigam os equipamentos necessários para processar e armazenar dados.
A campanha ocorreu em meio à preocupação com a inflação e à guerra no Irã, além do debate sobre a influência das grandes empresas de tecnologia e os impactos da inteligência artificial. Um estrategista político envolvido na coordenação dos gastos do setor afirmou que a onda de votos democratas superou o dinheiro investido pelos empresários.
Após a divulgação dos resultados, Musk apagou uma publicação na plataforma X em que havia incentivado os eleitores a votar nos republicanos. Integrantes democratas já defendem que a nova maioria no Congresso convoque executivos de inteligência artificial para depor sob juramento no próximo ano, medida que dependerá de decisões do partido no Legislativo.
Para entender
- Comitê de ação política
- Nos Estados Unidos, comitês de ação política, conhecidos pela sigla PAC, arrecadam e gastam recursos para apoiar ou se opor a candidatos e causas. As regras sobre financiamento e coordenação variam conforme o tipo de comitê.