Democratas conquistam controle da Câmara e do Senado dos EUA
Donald Trump atribuiu o revés republicano principalmente à alta da gasolina ligada à guerra contra o Irã, mas disse não se arrepender da ofensiva.
Resumo em 30 segundos
Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato. Trump reconheceu que a alta da gasolina relacionada à guerra contra o Irã pesou no resultado, mas defendeu a ofensiva. Republicanos também apontaram a impopularidade do presidente, as tarifas e escolhas de candidatos como fatores da derrota.
Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira, 3, e a derrota levou republicanos a atribuir o resultado às políticas e decisões do presidente Donald Trump. Na quarta-feira, 4, Trump reconheceu que a alta da gasolina relacionada à guerra contra o Irã pesou no revés, mas afirmou que não se arrepende da ofensiva e voltou a dizer que o partido teria vencido se seu nome estivesse nas cédulas.
As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam todos os assentos da Câmara e parte dos do Senado. Em 2026, a votação foi realizada em 3 de novembro. A disputa também inclui cargos estaduais e locais, embora os resultados citados pelos republicanos se concentrem nas derrotas para o Congresso.
Segundo projeções da Associated Press, até as 15h30 de quarta-feira, os democratas tinham 234 cadeiras na Câmara, contra 139 dos republicanos; 62 vagas ainda estavam em apuração. A maioria simples exige 218 assentos. No Senado, os democratas haviam conquistado 54 vagas e os republicanos, 44, com duas disputas ainda sem resultado definido. São necessários 51 assentos para a maioria.
Na noite de terça-feira, Trump atribuiu o desempenho do partido ao fato de não estar na cédula. “Eu não estava na cédula”, afirmou em entrevista, antes do encerramento da votação em algumas regiões. Na quarta, porém, sua avaliação incluiu o impacto dos preços dos combustíveis: “Provavelmente essa foi a principal razão. O preço. Não a guerra, o preço”.
O presidente disse que a ofensiva contra o Irã foi necessária para impedir que o país desenvolvesse armas nucleares e afirmou que ela “valeu a pena”, apesar do custo eleitoral. Também declarou que o Estreito de Ormuz está aberto e que a guerra terminará “quando eu quiser que termine”. O conflito elevou os preços da gasolina, segundo Trump, e foi apontado por integrantes do partido como um fator que afetou o apoio aos candidatos republicanos.
O vice-presidente JD Vance também relacionou a derrota à guerra. “A razão pela qual perdemos é a guerra”, escreveu nas redes sociais na manhã de quarta-feira. Vance havia advertido Trump contra uma intervenção militar no Irã e afirmou que uma avaliação sincera do resultado deveria começar pelo conflito.
Outros republicanos responsabilizaram diretamente o presidente. O deputado Don Bacon, de Nebraska, chamou de “absurda” a explicação de Trump de que a ausência de seu nome nas cédulas causou as perdas. Bacon disse que a impopularidade presidencial foi o principal motivo e criticou o apoio de Trump a candidatos que considerou fracos em disputas importantes para o Senado.
Entre as escolhas questionadas estavam Ken Paxton, candidato republicano no Texas, e Darline Graham, senadora da Carolina do Sul que concorreu a um mandato completo após assumir a vaga de seu irmão, o senador Lindsey Graham. A matéria também apontou derrotas republicanas em Iowa e Michigan. Em campanhas nesses estados, Ashley Hinson e Mike Rogers, apoiados por Trump, criticaram tarifas e pediram o fim da guerra, mas não conseguiram vencer.
As tarifas, os preços da gasolina e a condução da política externa apareceram entre as razões citadas por republicanos para o resultado. Brinker Harding, que perdeu a disputa por uma cadeira em Nebraska, mencionou o custo dos combustíveis e disse que as tarifas se tornaram um problema. Consultores republicanos também afirmaram que os eleitores usaram as disputas legislativas para expressar insatisfação com o presidente.
A reação dos líderes do partido foi menos incisiva. O senador John Thune, líder da maioria, divulgou uma declaração sobre realizações republicanas durante os dois primeiros anos do segundo mandato de Trump, sem apontar causas para as derrotas. Já o presidente da Câmara, Mike Johnson, defendeu Trump e atribuiu a reação democrata à oposição ao presidente.
Trump afirmou que alguns candidatos apoiados por ele se afastaram e que parte de sua base não gostou dessa postura. Também disse que poderia negociar com os democratas, mas advertiu que uma tentativa de impeachment “destruiria o Partido Democrata”. Quando questionado sobre o secretário de Guerra, Pete Hegseth, declarou que ele faz “um ótimo trabalho” e que não pretende removê-lo. A derrota abre uma disputa interna sobre o peso de Trump no Partido Republicano nos dois últimos anos de seu mandato e sobre a estratégia para a eleição presidencial de 2028.