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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

JD Vance e Marco Rubio aparecem na disputa republicana para 2028

As eleições legislativas de 3 de novembro podem acelerar a corrida presidencial, enquanto candidatos republicanos se afastam de Donald Trump em disputas apertadas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: JD Vance e Marco Rubio em evento público, com o Capitólio dos Estados Unidos ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: JD Vance e Marco Rubio em evento público, com o Capitólio dos Estados Unidos ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A disputa pelo Congresso dos Estados Unidos deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028 e medir o desgaste de Donald Trump. JD Vance e Marco Rubio surgem como possíveis nomes republicanos, enquanto democratas se preparam para uma eventual vitória na Câmara e avaliam formas de limitar poderes presidenciais.

A política de Washington já começa a se voltar para o período posterior a Donald Trump, embora o presidente ainda tenha mais de dois anos de mandato pela frente. As eleições legislativas de 3 de novembro, que decidirão o controle do Congresso dos Estados Unidos, devem acelerar a disputa por espaço dentro dos dois partidos e as articulações para a eleição presidencial de 2028, incluindo uma possível disputa republicana entre o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.

O resultado das eleições de meio de mandato pode alterar o equilíbrio de poder entre a Casa Branca e o Congresso. Republicanos em disputas apertadas têm se distanciado de Trump na campanha, enquanto democratas trabalham em propostas para um eventual governo futuro e discutem formas de limitar poderes presidenciais. A eleição também servirá como um primeiro teste para medir até que ponto a insatisfação com o presidente se converte em votos para a oposição.

A sucessão de Trump, no entanto, não garante que outro republicano consiga reproduzir seu estilo político. John Lawrence, historiador e ex-assessor da democrata Nancy Pelosi, afirmou duvidar que a maneira de governar do presidente funcionasse sem a personalidade dele. Vance e Rubio também teriam de construir apoio em novos grupos de eleitores, num momento em que sinais apontam para o enfraquecimento da coalizão que elegeu Trump em 2024.

Alguns candidatos republicanos já demonstram preocupação com o custo eleitoral de apoiar todas as decisões da Casa Branca. Aspirantes ao Senado em Iowa e Michigan pediram o fim da guerra contra o Irã, que elevou o preço dos combustíveis nos Estados Unidos. Na Flórida, uma deputada republicana que antes apoiava Trump veiculou um anúncio dizendo que a política migratória do presidente foi longe demais e que apoiadores latinos se sentem “traídos”.

A insatisfação com Trump não significa necessariamente que esses eleitores apoiarão os democratas. Uma análise da revista The Economist, baseada em 58 mil respostas a pesquisas do YouGov, apontou vantagem democrata de cerca de oito pontos na disputa pelo Congresso. A desaprovação ao presidente, porém, supera a aprovação em 19 pontos entre eleitores registrados. Entre os que desaprovam o governo, um terço ainda tende a votar em republicanos e 28% podem deixar de votar, fatores que ajudam a manter indefinida a disputa pelo Senado.

Os democratas também se preparam para a possibilidade de controlar a Câmara dos Representantes. Assessores jurídicos discutem maneiras de proteger o Departamento de Justiça da influência da Casa Branca, e parlamentares elaboram projetos para restringir o poder presidencial de declarar emergências. Trump recorreu a esse instrumento cerca de uma dúzia de vezes para justificar medidas como tarifas e deportações. Nos Estados Unidos, eleições legislativas determinam a composição do Congresso, que pode fiscalizar o Executivo e aprovar ou barrar propostas e leis.

A percepção de que Trump perdeu força também pode afetar a influência dos Estados Unidos no exterior. Em abril do ano passado, o anúncio de tarifas provocou queda nos mercados e levou governos a buscar negociações. Quando novas taxas foram impostas em julho deste ano, a reação financeira foi menor. A China respondeu a tarifas restringindo exportações de terras raras, minerais usados em eletrônicos e carros, e levou Washington a recuar. O Brasil também não suspendeu o julgamento de Jair Bolsonaro após uma tarifa de 50% anunciada por Trump; Bolsonaro acabou condenado.

O presidente ainda enfrenta restrições do Irã à navegação pelo Estreito de Ormuz, mantidas desde o fim de fevereiro. Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, sua ameaça de destruir a República Islâmica teve pouca reação dos diplomatas presentes. Uma eventual perda de influência, contudo, não significa necessariamente uma política externa mais moderada: aliados que Trump considere desleais e países da América Latina podem ficar mais expostos à pressão dos Estados Unidos. Em janeiro, tropas americanas capturaram o venezuelano Nicolás Maduro, e a diminuição da capacidade de confrontar potências como China e Rússia pode aumentar a pressão sobre Cuba e Nicarágua.

Fontes: Estadão

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