Daniel Vorcaro nega fraude no BRB e diz estar preso injustamente
Em depoimento à PF em setembro, o banqueiro disse que ativos substituíram as carteiras e contestou a investigação sobre R$ 12 bilhões.
Resumo em 30 segundos
Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que não fraudou a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB e que os ativos usados para substituí-las evitaram prejuízo. A PF o indiciou por crimes financeiros e aponta problemas também nos ativos substitutos. Em depoimento separado, Paulo Henrique Costa atribuiu a Ibaneis Rocha a orientação para estruturar uma venda do BRB ao Master.
Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que não houve fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e disse estar “preso injustamente”. O banqueiro prestou depoimento em 15 de setembro, em Brasília, no âmbito da investigação sobre operações entre as duas instituições.
A manifestação ocorreu antes de a PF indiciar Vorcaro por crimes financeiros. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira, 28, os investigadores apontaram que ele teve participação ativa na venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado que consideram fraudulentas.
No depoimento, que durou cerca de duas horas, Vorcaro alegou que os créditos foram substituídos por outros ativos e, por isso, não causaram prejuízo ao BRB. A investigação também identificou problemas nesses ativos substitutos. O banqueiro disse que colocou bens pessoais na operação para trocar os ativos e pediu que uma empresa internacional avaliasse o valor deles.
“Eu não fiz fraude nenhuma com BRB, eu não lesei nada o BRB”, afirmou. Ele também pediu que a PF arquivasse o caso e o liberasse para voltar para casa. “Arquive esse processo porque não tem prova nenhuma”, declarou.
Vorcaro criticou a atuação dos investigadores e do Banco Central, que apontou irregularidades no Banco Master. Disse que a pressão pública poderia influenciar a análise do caso e afirmou que os integrantes da autoridade monetária seriam responsabilizados no futuro. A afirmação é do banqueiro; a investigação da PF sustenta que houve fraude na venda das carteiras.
Em depoimento separado, também prestado em 15 de setembro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que a negociação com o Master começou após uma reunião com Vorcaro e o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Segundo Costa, Ibaneis pediu que ele estruturasse uma venda do BRB ao Master. A defesa do ex-governador não havia se manifestado sobre essa declaração.
Costa disse que ficou surpreso com a orientação e relatou que, no dia seguinte, procurou Ibaneis para se opor à operação. Afirmou que temia que a venda de participação acionária pudesse levar à privatização do banco público. A PF investiga também aumentos de capital do BRB que, segundo os investigadores, permitiram a entrada de fundos e pessoas ligadas a Vorcaro na instituição.
O BRB é um banco controlado pelo governo do Distrito Federal. A investigação examina tanto a compra de carteiras de crédito do Master quanto operações envolvendo participação acionária no banco. O indiciamento formaliza a conclusão da PF sobre a existência de indícios de crimes, mas não equivale a uma condenação; cabe ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia à Justiça.
Para entender
- Indiciamento
- É o ato em que a polícia formaliza sua conclusão de que há indícios de que uma pessoa cometeu um crime. Não equivale a condenação: cabe ao Ministério Público decidir se apresenta uma denúncia, e a Justiça avalia o caso.