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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Escritório de Temer firma contrato de até R$ 30 milhões com Master

O acordo previa R$ 10 milhões em honorários iniciais e mais R$ 20 milhões se a venda do Banco Master para o BRB fosse concluída, mas o Banco Central vetou a operação.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de reunião vazia em um edifício moderno, com mesa e documentos ligados a uma negociação financeira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de reunião vazia em um edifício moderno, com mesa e documentos ligados a uma negociação financeira.
Resumo em 30 segundos

O escritório de advocacia de Michel Temer firmou em setembro de 2025 um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master para tentar viabilizar a venda ao BRB. Mensagens mostram cobranças de pagamento e indicam que uma parte foi recebida, mas não revelam o valor nem se todos os honorários foram pagos. Os R$ 20 milhões de êxito dependiam da conclusão do negócio, vetado pelo Banco Central.

O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer firmou, em 3 de setembro de 2025, um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master para tentar viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). O acordo previa R$ 10 milhões em honorários iniciais e outros R$ 20 milhões caso a operação fosse concluída, mas o Banco Central vetou a transação.

O pagamento inicial seria dividido em duas parcelas de R$ 5 milhões: uma na assinatura e outra 30 dias depois. A parcela de êxito dependia da autorização do Banco Central e da conclusão do negócio. O contrato estabelecia que os honorários seriam pagos 20 dias após a autorização da autoridade monetária.

O documento foi encaminhado ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo publicitário Elsinho Mouco, interlocutor de Temer. Em mensagem enviada no dia da assinatura, Mouco disse que o contrato já estava assinado e incluía os dados bancários do escritório. As conversas entre os dois mostram cobranças para que os pagamentos fossem feitos.

Entre as tarefas previstas estava acompanhar processos ligados à tentativa de venda e buscar mediação junto aos órgãos competentes. O contrato também mencionava uma representação apresentada pelo Banco Bluebank, integrante do mesmo grupo financeiro do Master, ao Tribunal de Contas da União (TCU). O caso foi distribuído ao ministro Jhonatan de Jesus.

O acordo previa ainda atuação para tentar anular uma eventual decisão do Banco Central que envolvesse o diretor Renato Lemos. O Master atribuía a ele a demora na análise da operação e classificava sua atuação como “equivocada e prejudicial à negociação”. Essa avaliação foi atribuída ao próprio banco.

Em 5 de setembro, dois dias depois do envio do contrato, Temer escreveu a Vorcaro: “Qdo pud er me ligue”. Há registros de ligações entre os dois naquele mês. Em 9 de setembro, enquanto Mouco perguntava sobre os honorários, Vorcaro disse que estava no Banco Central e que só poderia falar mais tarde. O publicitário respondeu que verificaria se a equipe do banqueiro já havia feito o pagamento.

As cobranças continuaram nos meses seguintes. Em 4 de setembro, Mouco já havia pedido o comprovante da transferência assim que o contrato fosse assinado. Quatro dias depois, informou que uma nota fiscal para o pagamento do sinal havia sido emitida.

Em 29 de outubro, diante de nova cobrança, Vorcaro escreveu que sua vida estava “uma loucura” e que a “luta ta grande aqui pra ficar de pe”. Ele explicou que o pagamento havia ficado retido na tesouraria por falta da nota fiscal e pediu desculpas. A operação com o BRB já havia sido barrada pelo Banco Central.

No dia 3 de novembro, Vorcaro afirmou que o banco enfrentava um problema grande e que a transferência deveria ocorrer no fim daquela semana. Em 7 de novembro, Mouco voltou a pedir ajuda à tesouraria e disse que a demora, quase um mês depois da emissão da nota, o impedia de cumprir compromissos do escritório. No dia 10, reforçou o pedido. Em 11 de novembro, escreveu: “Entrou a metade”. As mensagens não permitem identificar o valor transferido nem confirmar se todos os honorários previstos foram pagos.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. A prisão ocorreu após o anúncio da venda do Master ao grupo Fictor. O banqueiro afirmou que viajaria para tratar do negócio com investidores árabes; a PF apontou tentativa de fuga. A operação com o grupo Fictor também foi barrada pelo Banco Central.

As conversas indicam que Temer organizou encontros para Vorcaro em Dubai no início de novembro, cerca de duas semanas antes da prisão. Em mensagens, o ex-presidente tratou da preparação da agenda e perguntou quando o banqueiro chegaria. Temer informou que havia marcado reuniões com interlocutores de Dubai e do Iraque. O material também registra contatos anteriores entre os dois: em outubro de 2023, Vorcaro procurou o ex-presidente para conversar sobre um documentário a respeito de sua trajetória política.

O contrato com o Master foi firmado quase dois anos depois desse primeiro contato. A produção, intitulada “963 Dias” e dirigida por Bruno Barreto, custou R$ 12 milhões. Um fundo ligado à família de Vorcaro comprou, em 2023, uma cota de patrocínio de R$ 1 milhão.

Para entender

BRB
O Banco de Brasília é uma instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal. O banco foi o comprador previsto na operação com o Banco Master, que dependia de autorização do Banco Central.
Banco Central
Autarquia federal responsável por regular e supervisionar o sistema financeiro brasileiro. Entre suas atribuições está analisar operações envolvendo instituições financeiras, como a venda do Banco Master ao BRB.

Fontes: Zero Hora, O Globo

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