Santiago Peña enfrenta julgamento no Senado após impasse sobre renúncia
O presidente segue no cargo enquanto senadores analisam sua destituição após a crise do Ueno Bank, que bloqueou contas de cerca de 3 milhões de clientes.
Resumo em 30 segundos
Santiago Peña continua na Presidência do Paraguai após o Congresso interromper a votação sobre sua renúncia. A Câmara aprovou a acusação de impeachment, e o Senado deve decidir se o destitui. O processo ocorre em meio à crise do Ueno Bank, cuja intervenção bloqueou contas e afetou cerca de três milhões de clientes.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, continua no cargo nesta sexta-feira, enquanto o Senado se prepara para julgá-lo em um processo de impeachment ligado à crise do Ueno Bank. A votação do Congresso sobre a renúncia anunciada por Peña na quinta-feira foi interrompida sem decisão, depois que deputados governistas deixaram a sessão e provocaram a perda de quórum.
Peña afirmou que comparecerá ao julgamento para apresentar sua defesa. Em publicação no X, disse que irá apresentar “argumentos e provas” e respeitará as instituições, embora considere que parlamentares já tenham antecipado uma decisão sobre seu futuro. O julgamento deve começar ainda nesta quinta-feira e ser concluído nesta sexta-feira, segundo o cronograma anunciado.
A Câmara dos Deputados aprovou por 78 votos a zero a acusação contra Peña. Cabe agora ao Senado decidir se o destitui; são necessários ao menos 30 votos entre os 45 senadores. A Câmara rejeitou a abertura de processo contra o vice-presidente Pedro Alliana, que poderá completar o mandato até 2028 se a Presidência ficar vaga.
A renúncia de Peña também precisa ser aceita ou rejeitada pelo Congresso. Como a análise foi suspensa, ele permanece oficialmente presidente, e Alliana ainda não assumiu. A oposição defende que o impeachment prossiga para evitar que Peña se torne senador vitalício caso deixe o cargo sem ser destituído. A Constituição concede essa condição a ex-presidentes eleitos democraticamente, com imunidades parlamentares.
A crise começou na terça-feira, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Ueno Bank e suspendeu saques e depósitos. A instituição tinha cerca de três milhões de clientes, aproximadamente 40% da população do país, e também administrava recursos do Instituto de Previdência Social e do Ministério da Economia e Finanças.
O BCP apontou que o índice de solvência do banco havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A investigação sobre as operações ainda está em andamento, mas identificou empréstimos acima do limite permitido a empresas ligadas ao grupo Vázquez, controlador do banco. Operações entre empresas relacionadas podem concentrar o risco de crédito e dificultar a identificação de dívidas e atrasos.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez até março de 2025. A ligação alimentou acusações de conflito de interesses e de favorecimento ao banco por meio de decisões regulatórias e da transferência de fundos previdenciários. O Ministério Público ordenou a detenção de oito diretores da instituição. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, que havia presidido a financeira Ueno, renunciou a pedido de Peña.
O bloqueio das contas prejudicou pagamentos e recebimentos e levou clientes e aposentados a protestar em Assunção. Na quarta-feira, o presidente promulgou uma lei para devolver a maior parte dos recursos em menos de uma semana. Na mesma data, 35 deputados apresentaram a acusação que deu início ao processo político contra Peña e Alliana. Houve confrontos em protestos, e a polícia usou gás lacrimogêneo e caminhões hidrantes para dispersar manifestantes.
Peña afirmou que a discussão sobre sua permanência no cargo não deve atrasar o ressarcimento dos clientes e prometeu colaborar com as investigações sobre o banco. Ele também pediu calma e disse que respeitará o resultado do processo. O desfecho no Congresso definirá se continuará na Presidência, será destituído ou deixará o cargo por renúncia aceita.