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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes

Decisão unânime foi tomada após cinco reduções consecutivas, em meio à alta das expectativas de inflação e à incerteza sobre a política fiscal.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédio do Banco Central em Brasília ao entardecer Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédio do Banco Central em Brasília ao entardecer
Resumo em 30 segundos

O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cinco cortes iniciado em março. A decisão ocorreu com as expectativas de inflação acima da meta e em meio à incerteza fiscal, à alta dos prêmios de risco e à desvalorização do real. O colegiado volta a se reunir em dezembro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), na primeira reunião após as eleições presidenciais. A decisão unânime interrompeu a sequência de cinco cortes consecutivos iniciada em março e foi anunciada em meio à turbulência nos mercados e à piora das perspectivas econômicas no país.

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para outras taxas de crédito, financiamento e investimento. Quando está elevada, tende a encarecer empréstimos e reduzir o consumo, o que ajuda a conter a inflação; também pode aumentar o custo de financiamentos para famílias e empresas.

Os cinco cortes anteriores reduziram os juros em 0,25 ponto percentual cada, somando 1,25 ponto. Antes desse ciclo, a taxa havia permanecido em 15% ao ano por nove meses. Com a manutenção, o Copom sinalizou uma pausa na flexibilização monetária, após a Selic chegar ao menor patamar desde março de 2025, quando estava em 13,25%.

A decisão ocorreu sob a presidência de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando do Banco Central em janeiro de 2025. A incerteza sobre a política fiscal do próximo governo e a possibilidade de indicações para vagas abertas na diretoria do BC estão entre os fatores de preocupação citados no cenário econômico. Também pesam a alta dos prêmios de risco — retorno adicional exigido por investidores para aplicar no país — e a desvalorização do real.

As expectativas de inflação se afastaram da meta. No boletim Focus divulgado após o resultado eleitoral, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2027 subiu a 4,76%, acima do teto, e a de 2028 chegou a 4%. O Banco Central considera os efeitos defasados dos juros e orienta suas decisões com foco no segundo trimestre de 2028.

A meta central de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, intervalo que vai de 1,5% a 4,5%. O objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada fica fora dessa faixa por seis meses seguidos. Em 12 meses até setembro, o IPCA atingiu 4,58%, acima do limite; a mediana das projeções para este ano é de 5,22%.

O Copom se reunirá novamente nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro previsto para este ano. O colegiado é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição. As reuniões ocorrem a cada 45 dias, e as atas, com a análise econômica e os argumentos da decisão, são publicadas em até quatro dias úteis.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora

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