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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula enfrenta pressão do mercado após ser reeleito presidente

A alta do dólar e dos juros futuros e a queda da Bolsa nesta segunda-feira reacenderam dúvidas sobre os cortes da Selic e o controle da dívida pública.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Operadores acompanham os mercados financeiros em uma sala de negociação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Operadores acompanham os mercados financeiros em uma sala de negociação.
Resumo em 30 segundos

Após a reeleição de Lula, investidores reagiram com alta do dólar e dos juros futuros e queda de indicadores da Bolsa. A piora das expectativas pode dificultar novos cortes da Selic e aumentar o risco de desaceleração econômica. O mercado também acompanhará as escolhas para a Fazenda e o Planejamento e os sinais sobre os gastos do governo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente neste domingo, 25, após uma disputa que terminou com uma virada em relação às expectativas do mercado financeiro. Nesta segunda-feira, o dólar e os juros futuros subiram, enquanto indicadores que acompanham o desempenho da Bolsa brasileira caíram, em uma reação dos investidores ao resultado.

A oscilação dos ativos ainda não significa, por si só, uma crise na economia real. Mas a alta dos juros pode dificultar a continuidade do ciclo de redução da taxa Selic, que serve de referência para o custo do crédito no país. Se as expectativas econômicas piorarem, o Banco Central poderá interromper os cortes ou até elevar a taxa, cenário que aumentaria o risco de recessão em meio a sinais de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB).

O principal desafio econômico do novo mandato será convencer investidores de que o governo consegue conter o crescimento da dívida pública. Para isso, a sinalização sobre o ajuste das contas precisará partir de Lula, além das escolhas para os ministérios da Fazenda e do Planejamento. Os nomes que ocuparão essas pastas serão acompanhados de perto pelo mercado.

Entre as possibilidades mencionadas para a equipe econômica está o vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem interlocução com investidores e governou São Paulo por dois mandatos. Gabriel Galípolo, à frente do Banco Central, também é considerado um nome com credibilidade entre agentes financeiros. Sua eventual saída, porém, exigiria a escolha de um novo presidente para a instituição, que já tem duas diretorias vagas.

A permanência de Dario Durigan na Fazenda e de Bruno Moretti no Planejamento seria interpretada como continuidade da política econômica atual. Ambos conhecem as medidas necessárias para ajustar as contas, mas, segundo a avaliação apresentada no debate econômico, enfrentam dificuldades para convencer Lula a alterar a condução dos gastos.

Durante a campanha, Lula fez promessas de ampliação de despesas. O presidente terá de equilibrar essas propostas com a necessidade de controle fiscal, isto é, de compatibilizar receitas e gastos e limitar a expansão da dívida. A forma como tratar essa tensão pode influenciar as expectativas dos investidores e as condições de financiamento do governo e das empresas.

O terceiro mandato de Lula começou com aumento de despesas autorizado pela chamada PEC da Transição, uma emenda constitucional aprovada para permitir gastos fora do teto então vigente. A decisão sobre repetir ou não uma estratégia de expansão de gastos será um dos pontos observados no início do novo governo, junto com as indicações para a equipe econômica e os sinais sobre as contas públicas.

Para entender

PEC da Transição
A Emenda Constitucional 126, aprovada em 2022, abriu espaço para despesas do governo federal fora do teto de gastos então vigente. Ficou conhecida como PEC da Transição por ter sido aprovada durante a passagem entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Fontes: Estadão

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